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A sopa envenenada

2017/12/17

Notas ao artigo de JPP.

1) A menção ao facto – penso que do conhecimento geral – de a associação das doenças raríssimas ter “obra reconhecida como meritória (podia não ser)”.

Tanto quanto julgo saber, quer a nível nacional, quer internacional.

2) “Nalguns casos pode ter havido crimes, noutros comportamentos eticamente reprováveis.”

E não se pode, nem deve, como é hábito, meter tudo no mesmo saco.

3) “Uma reportagem da TVI denunciou o caso, os abusos e as cumplicidades. Fê-lo com equilíbrio e com matéria probatória sólida, incluindo depoimentos, emails e alguns filmes, uns feitos às escondidas, outros às claras.”

Nem sempre com equilíbrio, antes pelo contrário.
Se é verdade que em matérias não relevantes para o assunto principal em análise – mas que ficam na memória dos espectadores – como quem pertenceu ou viria a pertencer a cargos semi-simbólicos (assembleia geral, etc.), ou quem aparece em fotografias com a presidente da associação (Marcelo, Maria Cavaco Silva, etc.) – nas sucessivas repetições e entrevistas a que a reportagem deu aso apenas aparecem referências a personalidades ligadas ao PS.

Concordo na generalidade com as restantes considerações, em particular com a que leva à conclusão, e que ainda não tinha visto realçada:

“Acresce que o facto de a principal culpada dos desmandos ser uma mulher não é irrelevante. Pior ainda é uma mulher “insuportável”, arrogante, atractiva e muito senhora de si para parecer um perigo para os homens e para as mulheres que no fundo temem as mulheres deste tipo, ou pura e simplesmente temem as mulheres como se fossem amazonas. O sexismo facilitou e muito o incêndio dos comentários e há uma espécie de exorcismo contra a sedução implícita. Se não querem ouvir as sereias, coloquem cera nos ouvidos e não fiquem babados a ver a televisão e a vociferar de inveja, de todas as invejas.”

A Estátua de Sal

(José Pacheco Pereira, in Público, 16/12/2017)

JPP Pacheco Pereira

Este artigo não é sobre as “raríssimas”; ou seja, sobre o caso da associação com esse nome. Este artigo é sobre as vulgaríssimas; ou seja, sobre aquilo que este caso revela sobre a nossa sociedade, sobre os nossos comportamentos, sobre o modo como os media e os seus consumidores estão impregnados da sopa envenenada que é hoje a chamada “opinião pública”. O caso em si é fácil de descrever: numa instituição de solidariedade social, com obra reconhecida como meritória (podia não ser), a sua responsável (e certamente vários dos seus colaboradores, incluindo os “whistleblowers”, como é costume) abusou da sua situação para obter vantagens materiais, viver à custa dos dinheiros “solidários”, ter luxos, e empregar a família e amigos. À sua volta, uma rede de cumplicidades, envolvendo o poder político, e membros do Governo ou ajudaram a causa, sem cuidados…

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