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O fantasma das elites, um artigo de António Guerreiro no Público

2016/11/20

Ainda a vitória de Trump, e um fenómeno que não é novo (os “pseudo-intelectuais”, lembram-se?).

Da vitória dos populismos, nada como uma legião de “indivíduos-termostato”, como lhes chama António Guerreiro, para se atirar às “elites” (a quem? não pertencem eles próprios a essas “elites”?)

Como diz AG:
“Eles mimam a estupidez do homem genérico e marginalizam uma razão crítica, essa coisa elitista. Estão bem representados nos painéis da Opinião e nos debates e comentários televisivos e radiofónicos, dos quais são animadores de eleição (a palavra “elite”, de origem francesa, incorpora a originária raiz do verbo latino eligere, escolher).

Em França são conhecidos como os panélistes, os indivíduos que circulam pelos inúmeros painéis, onde fazem de intelectuais politólogos, sociólogos e psicólogos e outros “logos”. Estes comunicadores são a elite do “agir comunicacional” contemporâneo, mas, em ocasiões como a das eleições americanas, sentem-se no dever de restituir ao Homem Médio a palavra que lhe foi confiscada. Falam muito de populismo e fizeram dele uma palavra-maná, um significante flutuante, uma “coisa”; apontam-no como um fenómeno temível do nosso tempo, mas participam convictamente e sem má consciência na lógica e nas manifestações do populismo cultural.”

A Estátua de Sal

(António Guerreiro, in Público, 18/11/2016)

Autor    António Guerreiro

Com a vitória de Trump, regressou o discurso de crítica das elites. Quem o defende, ignora tudo de uma sociologia das elites, porque para eles as elites são apenas a estranheza, o não homogéneo.


Na sequência das eleições americanas, assistimos a um curioso discurso de denúncia das “elites”, integrado numa vulgata analítica que cumpre bem uma tarefa de cretinização de inaudita envergadura. Que elites são essas tão vagamente nomeadas? Não é possível saber, nem há nada a saber, porque este discurso tem o objectivo de uma palavra de ordem, um refrão, que nada diz de substancial, mas chama a atenção sobre quem o profere. E quem o profere, neste caso, são os porta-vozes de um filisteísmo bem conhecido que constitui também uma elite: a elite consensual dos indivíduos que se vão adaptando à temperatura ambiente (já alguém lhes chamou “indivíduos-termostato”) e captando as…

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