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Tolerâncias de ponto, demagogias e servilismos

2011/04/22

Declaração de interesses: sou funcionário público (com muita honra, etc. apesar de não andar com uma tabuleta a dizer: CHUTEM-ME!, porque aparentemente não é preciso.)

Quer isto dizer que sou um dos beneficiários da infame “tolerância de ponto de quinta-feira santa à tarde”, que existe desde que eu me lembro, qualquer que seja o governo, em democracia ou sem ela.

E acrescento rapidinho que sim, que estou de acordo que estas pequenas benesses não fazem sentido e deviam (devem!) acabar.

Mas alto lá e pára o baile.

Tem que ser à pressa, só porque estão cá os senhores do FMI/UE/BCE, para lhes mostrar que sim senhor, que estamos de olhos baixos e a arrastar os pés, para que eles não sejam muito maus para nós?

Segundo o Dr. Passos Coelho, sim (não sei se repararam na nuance – porque este ano há um dia a mais no fim de semana prolongado, abrindo a porta a que a tolerânciazinha volte nos próximos anos se por acaso ele vier a ser primeiro-ministro), para o presidente da CIP também, ao mesmo tempo que pedia à delegação, como se esta fosse o menino Jesus, benesses que não lhe foram atribuídas pelos organismos eleitos da democracia. Para a empresária, membro do conselho do Banco Santander e da Comissão Trilateral do Clube de Roma e do grupo de conselheiros regionais da Europa do FMI, Estela Barbot, também, como é evidente (a primeira notícia na TSF dava a entender que Estela Barbot tinha informação privilegiada da delegação do FMI, que teria recebido muito mal a notícia, o que era desde logo pouco credível, o que se foi confirmando ao longo do dia com a suavização da notícia – mas a primeira impressão lá tinha ficado.)

Essas medidas (incluindo a sua abolição) devem ser tomadas com ponderação, sobretudo quando não há razão que justifique a sua tomada à pressa (a não ser a de bajular os nossos ilustres visitantes), e quando se dirigem a um grupo de trabalhadores, os funcionários públicos, que tem aguentado com o maior peso das medidas de combate ao défice das contas públicas.

Não tomar esta medida, que é tomada pelo menos há décadas, isso sim é que seria oportunismo. Mas como é evidente os oportunistas não vêm a diferença.

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