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Há 50 anos, acontecimentos que abanaram Portugal

2011/01/24

No Jugular, Irene Pimentel faz o relato do annus horribili de 1961 para o regime de Salazar, começando com o assalto e desvio do paquete Santa Maria por um comando luso-espanhol, comandado por Henrique Galvão e um militar espanhol, que faz hoje exactamente 50 anos.

O post cobre não apenas esse acontecimento, como os levantamentos da Baixa do Kassange (província de Malange, Angola) e a repressão brutal que se seguiu, os ataques em Luanda à Casa de Reclusão, Cadeia de S. Paulo e outros alvos a 4 de Fevereiro, o levantamento bakongo no norte de Angola a 15 de Março, com o massacre consequente não apenas entre a população branca e mestiça, mas igualmente entre os que eram comumente chamados “bailundos”, mas que na realidade eram umbundos de várias regiões e não apenas do Bailundo.

Outros acontecimentos cobertos são, em Portugal, a subscrição do Programa para a Democratização da República, elaborado sob inspiração de Jaime Cortesão e Mário de Azevedo Gomes, e com redacção de Mário Soares, Francisco Ramos da Costa, Fernando Piteira Santos e José Ribeiro dos Santos. Os 62 signatários foram depois detidos, um a um, pela PIDE. Movimentações para remover Salazar são abafadas e este reforça o seu poder. Outra derrota do regime foi uma espectacular fuga de dirigentes comunistas da prisão de Caxias no próprio automóvel blindado do ditador, que ali estava depositado. Ainda antes do fim do ano, Palma Inácio, sob a organização de Henrique Galvão, protagoniza o primeiro desvio de um avião com fins políticos, sobrevoando a zona de Lisboa e lançando panfletos. E no fim do ano, a revolta falhada de Beja, que Irene Pimentel promete será o tema de outros posts (juntamente com outros temas). Uma série a seguir, decididamente.

Para além do interesse histórico destes acontecimentos (o seu verdadeiro interesse, como é evidente), alguns deles fizeram-me vir à memória a forma como deles tomei conhecimento, ou, em outros, como participei, passivamente, é claro (que diabo, eu tinha 10 anos).

Quanto à aventura do Santa Maria, lembro-me com suficiente nitidez de que tínhamos ido a Luanda (o meu pai estava colocado em Caxito, a 60 Km de Luanda), tínhamos almoçado na Portugália e o meu pai estava à conversa com uns amigos no bar que havia no largo em frente. O tema era o Santa Maria, não me peçam os detalhes, mas iria jurar que já se sabia nessa altura que lhe estavam a chamar Santa Liberdade (Irene Pimentel não o menciona, mas um post não é uma tese exaustiva). Mas do que eu me lembro é de haver pessoas que conheciam o Henrique Galvão da sua passagem por Angola, onde entre outras coisas fora Governador da Huíla, tendo obra publicada e elogiada sobre a flora e a fauna.

Os acontecimentos do 4 de Fevereiro são um bocado nebulosos, eu estava em Caxito (na realidade, nas Mabubas), mas o meu irmão que estava a estudar em Luanda ouviu os tiros. Vale?

Já o 15 de Março foi outra coisa. As Mabubas não foram atacadas, nem o Caxito, mas nós víamos que o meu pai andava armado nas suas idas e vindas entre as Mabubas e o Caxito (na realidade tinha uma velha FBP dentro de um saco aos pés do carro), e todos os dias um PV2 ou um Harvard sobrevoavam baixinho para ver se ainda estávamos todos de saúde. Até ao 15 de Março. Chegaram ao longo do dia uma série de carrinhas, jipes, camiões, com famílias, que sei eu, com pessoas, a chorar, a gritar, e como o meu pai era a maior autoridade administrativa presente (na altura Secretário Administrativo, que depois se veio a chamar Adjunto de Administrador de Concelho), eram encaminhados para nossa casa ou para a Administração que era em Caxito. E a minha mãe e as outras senhoras a afastarem-nos, a mim, à minha irmã (não tenho a certeza se a minha irmã ainda lá estava ou se já estava em Luanda) e aos meus amigos, que estávamos ao mesmo tempo terrificados e fascinados, com aquela inconsciência dos inocentes ou dos parvos. Mas nos dias seguintes abateu-se sobre mim com mais força: quase todas as localidades do norte que nós conhecíamos tinham sido atacadas, em algumas delas tínhamos vivido (Quitexe, Terreiro), e se bem que não houvesse baixas na família, havia nos amigos.

7 comentários leave one →
  1. 2011/03/2 9:58 am

    eu sou feio

  2. 2011/03/2 10:05 am

    tou no gozo eu sou muito bonito o diogo/mario e que e um feio

  3. mario permalink
    2011/03/2 10:53 am

    o alves é um boi

  4. diana permalink
    2011/03/2 10:54 am

    o alves é mesmo uma grande alforreca!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. 2011/03/7 10:06 pm

    o alves é um feio

  6. 2011/03/16 9:43 am

    eu sou feio

  7. 2011/03/16 10:27 am

    o alves é um boi

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