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2009 – heranças e esperanças

2009/01/1

No médio-oriente, os falcões israelitas fazem a vontade aos falcões palestinos, e atacam um pequeno teritório emparedado, sobrepopulado, aplicando a taxa de câmbio 1:100 (100 palestinos mortos por cada israelita), sem contar com a destruição das (escassas e insuficientes) estruturas básicas.
Convém a ambos: o Hamas apresenta-se como a única força que se opõe a Israel, ganhando com isso apoio não apenas entre os palestinos (que acham que já não têm nada a perder) mas entre o mundo árabe e islâmico, em detrimento das forças mais moderadas; Israel (talvez o único Estado do mundo, juntamente com os Estados Unidos, que pode fazer o que quiser, quando e como quiser – desde bombardeamentos a violações de convenções internacionais – sem que seja chamado à ordem) reforçando o seu militarismo e as suas correntes sionistas radicais, e, sobretudo, assegurando que nunca haverá um Estado palestino viável

A crise, que de monetária em 2007 passou a financeira em 2008, passará a económica em 2009.
A estupidez neoliberal associada à ganância permitida pela desregulamentação deram o resultado que está à vista.
O susto foi tão grande que todos se voltaram a lembrar de J.M. Keynes e de Hyman Minski. E surgiram de todos os lados os pacotes de apoio aos sectores em crise, a começar pelo financeiro. Mas é preciso estar atento à forma como esses apoios vão ser utilizados, e a como, quando chegar a bonança, os contribuintes vão ser ressarcidos deste “empréstimo forçado”. Mas sobretudo é preciso que não fique tudo como dantes, ou seja, não são precisos apenas apoios do Estado, é necessário alterar a legislação que regula os mercados financeiros (muitas vezes bastará repôr legislação que foi abandonada durante a febre da desregulação), e cooperação internacional no que respeita aos paraísos fiscais – só assim poderá ser eficiente.

Obama toma posse dentro de 20 dias. Já tudo foi dito sobre o que significou a sua eleição, sobretudo em termos simbólicos. Mas agora vem o choque da realidade. Claro que (seria preciso dizê-lo?) as comparações não serão feitas com os mandatos de Bush Jr. Estes foram abaixo de qualquer limiar de comparabilidade. Mas muitos dos problemas que vão assombrar Obama resultam destes negros oito anos. Haverá muita coisa a corrigir (economia, Iraque, Guantánamo, liberdades civis, etc.) que vem dos anos Bush/Cheney. Mas outras (Palestina, por exemplo) vêm de muito mais atrás.

Um bom ano de 2009.

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