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Por Obama, sem grandes ilusões

2008/11/3

Espero que Barack Hussein Obama vença as eleições presidenciais dos Estados Unidos da América, que se realizam amanhã. (Quer dizer, o dia oficial das eleições é amanhã, mas já alguns milhões de americanos votaram (!?), e depois seguir-se-ão as inevitáveis querelas sobre fraudes, eleitores impedidos de votar à boca das urnas, etc. etc.)

Seja qual fôr o vencedor, será o presidente dos Estados Unidos, a grande potência imperial dos nossos tempos. Pode tentar prosseguir a defesa do que considerar os seus interesses em diálogo com a comunidade internacional, em particular com os países com maiores afinidades culturais e políticas, ou através de acções unilaterais (parcialmente mascaradas pela ajuda de alguns idiotas úteis e a chantagem sobre outros, como fez a famigerada administração Bush Jr.). Pode participar activamente e sem exigir prerrogativas especiais em instrumentos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional, o Acordo de Kioto, etc. ou pura e simplesmente ignorá-los e boicotá-los. E por aí adiante.

Esta é a parte que mais interessa ao resto do mundo.

Internamente, também as políticas podem ser muito diferentes, desde o grau de regulação da economia, a protecção na saúde e na doença, no emprego e no desemprego. E a manutenção ou a abolição das infames actividades ligadas à “Homeland Security“, as leis que permitem todo o tipo de arbitrariedades sobre os próprios cidadãos americanos, a tortura, a “extraordinary rendition“, Guantánamo.

John McCain, embora na recta final tenha tentado afastar-se da herança de Bush Jr., apenas promete mais do mesmo. Não se lhe conhece uma proposta que o afaste do que foram estes malfadados oito anos. E teremos sempre pendente a hipótese de Sarah Palin lhe suceder a qualquer momento, o que seria de facto uma tragédia para os Estados Unidos e para o mundo.

Obama tem propostas interessantes em muitos domínios, em particular em alguns dos atrás referidos, embora fiquem áquem do que seria necessário. E noutros é de uma grande ambiguidade. Diz que quer retirar do Iraque, mas aumentar a intensidade no Afeganistão e Paquistão (com ou sem a concordância deste último, um autêntico barril de pólvora, mas com bomba nuclear?), tratar a questão iraniana com diplomacia é uma boa ideia, mas não esqueçamos que na convenção do partido democrata o único que falou de Guantánamo e da tortura foi Al Gore. E no equilíbrio de poderes a nível estratégico, vai prosseguir o processo de cerco e humilhação da Rússia, continuando a encorajar adesões espúrias à NATO e instalando baterias de mísseis em países da União Europeia? Ou, embora mantendo a firmeza contra as tentações de certos sectores políticos e militares russos, vai manter uma diplomacia aberta que encoraje os sectores mais democráticos, e não os coloque na situação de terem de apoiar Putin e Medvedev (como aconteceu na recente “crise georgiana”)?

Por outro lado não é de esquecer os elevados fundos de que dispôz a sua candidatura. Não haverá facturas a cobrar?

Seja como fôr, espero que Obama ganhe. Mesmo com as reticências que coloco, acho que será melhor para os Estados Unidos e para o mundo.

One Comment leave one →
  1. 2008/11/4 2:31 am

    Eleições Americanas 2008

    Sugestão para acompanhar online e de forma gratuita os principais canais de informação internacionais…

    http://lugardoconhecimento.wordpress.com/2008/11/04/eleicoes-americanas/

    uma boa sugestão para quem não tem TVcabo ou tv por satélite

    Cumprimentos,
    RM

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