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As eleições americanas e o “novo progressismo”

2008/09/2

Rui Tavares escreve no Cinco dias um interessante e esclarecedor post (O que é o “novo progressismo”) sobre as reacções de comentadores europeus (e portugueses em particular) a Barack Obama, que vão do apoio entusiástico e incondicional ao rebaixamento total e idiota (do género “só o apoiam para serem politicamente correctos, por ele ser negro”).

Concordo no essencial com o que RT escreve, e em particular com o vazio do pensamento político de esquerda na Europa que, ou não pensa nada, ou se agarra à liberalização (mal) introduzida pelas terceiras vias, para não falar nos leninismos e trotsquismos que vão permitindo à extrema direita assumir papeis que não tinham desde a segunda guerra. É certo de que muito do que Obama propõe para os EUA já (ainda?) se encontra presente nas sociedades europeias, por via do Estado providência, sobrevivente mas sob permanentes ataques.

Não tenho grandes dúvidas de que os americanos têm muito mais (tudo) a beneficiar com a eleição de Obama do que com a de McCain, sobretudo porque este parece cada vez mais querer exercer o terceiro mandato da lastimável figura que ainda reside na Pennsilvania Avenue de Washington.

Mas os Estados Unidos são o que são, e o que lá se passa tem influência, para o bem e para o mal, no resto do mundo. É certo que, como diz Rui Tavares, Obama parece ser mais institucionalista e multilateralista de que é habitual, o que diminui os riscos quer do isolacionismo quer do intervencionismo. Também não é verdade que nenhum presidente consiga mudar a política internacional dos EUA. Mas todos os países defendem os seus interesses (ou aquilo que num dado momento interpretam como tal). Simplesmente alguns conseguem impôr os seus interesses e outros não.

Vem isto a propósito da actual crise no Cáucaso, que resultou da política de cerco e enfraquecimento da Rússia (imposta pelos Estados Unidos e servilmente seguida pelos governos da União Europeia), em detrimento da diplomacia, da cooperação política e económica (envolvendo, como é evidente, fortes exigências no sentido de uma maior abertura da sociedade russa e do respeito dos direitos humanos). Não se pode dizer que algumas coisas já não são admissíveis no século XXI, quando nós próprios acabámos de as fazer.

Ora quanto a isto, Obama seguiu a corrente, fazendo logo de imediato (mas já se sabendo que quem tinha iniciado as hostilidades tinha sido o irresponsável presidente georgiano) declarações de condenação apenas a um dos lados. Haverá mudança de política nesta área, ou continuará a política de transformar a NATO na super-polícia mundial, fazendo com que grandes e orgulhosos países (a Rússia, mas, não tenhamos dúvidas, seguindo esta linha, a China, a Índia e o Paquistão – países com armamento nuclear) se sintam acossados?

Outro aspecto que tem sido realçado por comentaristas americanos de esquerda: a tortura, as prisões arbitrárias, as escutas telefónicas e violações da correspondência e o famigerado Department of Homeland Security. Das intervenções que visionei da Convenção Democrata, apenas Al Gore falou da tortura (com uma citação de George Washington elucidativa), mas nenhum falou de Guantanamo.

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