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A NATO, a UE, os EUA, a Rússia, e o novo grande jogo

2008/08/20
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1. O fim da União Soviética colocou os Estados Unidos na cómoda/ingrata situação de única superpotência planetária.

2. Os países ex-membros do Pacto de Varsóvia, mais a Albânia, tiveram a oportunidade de efectuar a transição para regimes democráticos de forma pacífica, com maior ou menor sucesso.

3. A Checoeslováquia, por vontade sobretudo dos Eslovacos, cindiu-se em dois países, num processo exemplar pela forma pacífica como decorreu.

4. A Ioguslávia foi o primeiro, dramático e sangrento teste do novo grande jogo: aquele que visa manter a Rússia numa posição humilhante de subordinação face à superpotência e ao “ocidente”, para isso exacerbando os nacionalismos e a promoção da criação de Estados-clientes, mesmo que, como é o caso do Kosovo, contra as leis internacionais e chefiados por “ex”-terroristas islâmicos e barões da droga.

5. A Rússia está muito longe de ser um modelo de democracia, de respeito pelos direitos humanos, ou de preocupação com as autonomias. Quanto à democracia, não lhe será certamente imposta do exterior (se é que se aprendeu alguma coisa com os anos e as aventuras recentes). Pelo contrário, mesmo as forças democráticas e que se opõem às actuais chefias russas, não gostam que outros países ameacem ou humilhem a Rússia. Quanto às autonomias, o exemplo da Chechénia fala por si, mas muitos outros existem e apenas esperam a altura certa para se manifestar.

6. A expansão da NATO, quer em atribuições, em número de países, e em território (virtualmente qualquer ponto do mundo), para além de visar a consolidação do poderio dos Estados Unidos, visa o cerco da Rússia, aumentando a sensação de humilhação neste país, o que não parece ajudar as forças democráticas internas, e fornece o pretexto para uma corrida armamentista por parte da administração russa.

7. No âmbito desse cerco, os EUA acordaram com dois países da União Europeia (República Checa e Polónia) a instalação de rampas de mísses, supostamente para contrariar a ameaça do Irão (que não constitui qualquer ameaça nesse sentido). O que têm a dizer a União Europeia, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e os restantes Estados membros (se é que alguém lhes perguntou alguma coisa)?

8. Foi feita a promessa, à Geórgia e à Ucrânia, da sua integração na NATO. Com base nessa promessa, o incendiário e corrupto Presidente da Geórgia (sim, eu sei que ele foi eleito, numa campanha largamente financiada pela organização conservadora americana National Endownment for Democracy) decidiu lançar um ataque com aviões e artilharia contra a capital da Ossetia do Sul, o que a Rússia logo aproveitou para fazer uma demonstração de que os rumores de que tinha passado a ser uma potência de segunda classe eram largamente exagerados.

9. A força da contra-informação:
-nos meios de comunicação apenas passam as forças russas na Geórgia, assim como as populações e as suas queixas legítimas de familiares mortos ou feridos, e habitações destruídas; os estragos feitos pela Geórgia na Ossetia do Sul, as habitações destruídas e as populações deslocadas desapareceram, ou seja, não existem;
-ao ler um jornal, ouvir um noticiário ou comentário, ou ver um telejornal, se alguém ousar dizer que tudo começou pela irresponsabilidade do “nosso homem em Tbilissi”, ainda haverá alguém que acredite?

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