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Qual é o país?

2006/08/20

Qual é o país que, em resposta a pequenas escaramuças de fronteira (graves, sem dúvida), se dá ao luxo de destruír habitações, prédios, estradas, aeroportos, pontes, ao mesmo tempo que aniquila milhares de pessoas e força outras centens de milhares a fugirem em debandada (mas sem terem estradas e pontes por onde fugir), e ao mesmo tempo continuar a usufruir da compreensão e das boas graças das grandes potências e dos grandes impérios mediáticos que controlam quase inteiramente a informação que recebemos em nossas casas?

É evidente que o Estado de Israel tem todo o direito de defender a sua integridade territorial e dos seus cidadãos, como qualquer outro Estado. Mas esta incursão (e outras, de igual ou menor dimensão, que tem feito ao longo dos anos, no Líbano e nos territórios palestinos) ultrapassou em muito a proporcionalidade e razoabilidade que esse direito lhe confere. Para além de, a coberto do pretexto inicial, ter uma agenda mais vasta (que não foi cumprida, e a população israelita deu-se conta disso, pelo que tem invectivado os seus dirigentes, para além de entre os militares haver um autêntico jogo de atribuição e de passagem de culpas).

Pode ser uma mera especulação, mas pelo menos baseada em factos: o Estado de Israel aposta no não funcionamento normal dos estados limítrofes (em particular do Líbano e da Autoridade Palestiniana) como um dos vectores da sua política de defesa e de manutenção do status quo. Nunca deixou que se criassem condições para a Autoridade Plaestiniana governar os seus territórios (e não, não estou aqui a esquecer os erros, a incapacidade, as contradições e a corrupção no seio dos órgãos dirigentes palestinianos). Manteve o essencial dos colonatos, criando fronteiras (virtuais ou físicas), de tal modo que estes controlassem as melhores terras, os principais cursos de água, e tivessem zonas tampão de segurança. O que sobrou ficou para os palestinianos? Sim, mas reservando-se Israel sempre o direito de entrar com homens, tanques, helicopteros, etc. Os dirigentes palestinianos moderados, continuaram a ser apelidados de terroristas (esquecendo que, nas vésperas da criação do Estado de Israel, os que viriam a ser primeiros-ministros ou ministros, cometeram actos de terrorismo que deixariam envergonhados alguns aprendizes de hoje), e como não conseguiam governar em condições, foram substituídos pelo Hamas, um movimento radical que não reconhece o Estado de Israel (tal como o Hezbollah – e o caminho para a implantação deste no Líbano também foi pavimentado pela anterior ocupação israelita).

O problema do desarmamento do Hezbollah é sobretudo um problema interno libanês, mas o problema é que não é só este movimento que está armado – todos os grupos religiosos possuem as suas próprias milícias, desde há décadas. O exército libanês é impotente perante esta manta de retalhos.

Mas sobretudo, o grande problema daquela zona é a resolução do problema palestiniano. A OLP e as suas componentes também não reconheceram durante décadas o Estado de Israel, até que numa rara fase de realismo, sob o impulso de Rabin e após os Acordos de Oslo, essa posição foi alterada. Haverá na zona dirigentes capazes de operar uma tal mudança com o xadrêz político actual?

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