Skip to content

O julgamento de Saddam visto por um libertário americano

2006/05/26

Os libertários americanos são uma espécie pouco conhecida (ou pelo menos pouco falada) na Europa. No entanto, têm uma presença muito forte nos meios intelectuais dos Estados Unidos. A sua doutrina (em termos simplistas) é uma cobinação das teorias individualistas com a economia liberal da escola austríaca (L. von Mises em particular).
Há-os de vários tipos, é claro, mas para mim os mais interessantes são os que orbitam à volta do Ludwig von Mises Instiute e do Center for Libertarian Studies, em particular Murray N. Rothbard (1926-1995) e Lew Rockwell. Este último publica uma muito interessante newsletter (que pode ser subscrita no seu site), cujos artigos dão uma panorâmica do pensamento libertário americano sobre assuntos actuais ou do passado recente.
Confesso que tenho sentimentos ambivalentes em relação a esta corrente. O seu encarniçado anti-estatismo colide com o que eu penso que é o papel do Estado numa sociedade moderna, essencialmente regulador mas interventor quando necessário para corrigir os desvios e injustiças que o movimento "espontâneo" da sociedade e da economia cria, em prejuízo dos mais fracos nessa sociedade, para além de ter funções próprias na educação, na saúde, na justiça e na cultura. A tudo isto os libertários dizem não, nem pensar, quanto menos Estado melhor. Por outro lado, são normalmente muito liberais em termos sociais, combatendo a hipocrisia e o conservadorismo dos "neo-liberais/neo-conservadores" que dominam a cena política americana dos últimos anos (de que a mais conhecida antena em Portugal dá pelo nome de João Carlos Espada).

A título de exemplo da liberdade de pensamento que caracteriza esta corrente, apresento esta curta citação de um texto de Lew Rockwell intitulado The State in the Dock:

People tell me that Saddam Hussein is a very bad man. Probably he is. Ok, really he is. He is egregiously immoral and ghastly. Should he be put on trial? Can such a trial be fair? This is where it gets complicated.

If all heads of state who commit violent acts were to be tried as criminals, we would live in a very different world. It would be a world without governments as we know them. Let's say that you like that idea. You might argue that lopping off Saddam's head is as good a place to start as any.

But there's a problem: The trial is being administered and run and decided by the government of a conquering nation, one led by a man who clearly had a personal vendetta against Saddam, and who used the most duplicitous methods to drag his country into an imperial venture that has killed perhaps a hundred thousand and thrown the victim country into political and economic chaos.

If Saddam is to be tried in court, the US lacks the credibility to be the prosecutor. Moreover, the trial might as well be designed to inspire more hatred of the US, create a martyr out of Saddam, and inspire more terrorism in the future. In any case, how does one measure the relative criminality of managing a depotism at home, as Saddam has done, as versus imposing a military dictatorship from abroad, as Bush is doing?

Technorati Tags: ,

powered by performancing firefox

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: