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O “faux pas” de Louçã

2005/01/22

Não assisti à totalidade do debate entre Francisco Louçã e Paulo Portas na SIC Notícias. Mas do que vi, ambos se saíram bem dentro das ideias que defendem, e apesar do enfado (estudado e cínico) de Portas perante alguma agressividade verbal de Louçã, foi razoavelmente civilizado.

O que mais me chocou foi no entanto o inacreditável argumento utilizado por Louçã para afirmar que Portas não tinha o direito de falar sobre o aborto, por não ter filhos! Ignoro, e é totalmente irrelevante para mim, se Portas tem ou não filhos, primos sobrinhos ou o que quer que seja. O que eu sei (e espero que Louçã, homem inteligente e informado, também saiba) é que essa não é de modo nenhum uma situação de capitis deminutio para se falar sobre aquele ou qualquer outro assunto. E que essa lógica, levada às últimas consequências leva a que, por exemplo, os pais de famílias numerosas estejam na posição mais favorável para opinar sobre o assunto. Ou que eu não tenha direito de falar sobre os direitos das mulheres ou dos homossexuais, ou sobre quotas, ou sobre o Iraque (porque nunca lá estive).
Estou convencido que por estas horas Louçã terá reconhecido que meteu água e disse o que não queria dizer, devido ao cansaço ou à exaltação do debate. Espero que o venha a admitir publicamente. Para que não paire sobre ele (e o Bloco, e a esquerda) a suspeita de que aquele tipo de argumentação é típico.

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