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Legislativas a um mês

2005/01/20

Falta exactamente um mês para as eleições legislativas antecipadas, e o panorama actual ainda não é muito motivador.
Dos partidos (com algumas excepções, nomeadamente do Bloco de Esquerda) ainda não se conhecem programas coerentes e estruturados sobre o que pretendem fazer caso venham a ter condições para governar, ou o que pretendem fazer na AR. Apenas se vão ouvindo algumas notícias soltas sobre baixar ou não os impostos, e quais, e a quem, sobre a retoma de uma solução para os resíduos industriais perigosos, sobre o aborto, tudo muito interessante, mas que só pode/deve ser avaliado pelos cidadãos no quadro mais abrangente de um programa de governo (com este ou outro nome) que dê a coerência possível a propostas de âmbito diverso, e que sobretudo esclareça sobre as grandes linhas mestras de um projecto governativo. Quais os objectivos prioritários e como os atingir, com que recursos, com que orientação.

De curioso, até aqui, só o comportamento dos dois partidos da actual coligação governamental.
Com as trapalhadas criadas por Santana Lopes e sua corte, Paulo Portas, esperto como um alho, faz valer o seu "bom" comportamento enquanto parceiro de coligação que não causou ondas e que "fez obra", procurando assim ganhar espaço de manobra e eleitores ao seu actual/potencial parceiro de governo. Claro que não fala do Ministério da Justiça de Celeste Cardona, nem dos ziguezagues a que o seu independente de serviço Bagão Felix foi e tem sido obrigado nos últimos meses relativamente não apenas ao OE de 2005, mas igualmente à maquilhagem do défice de 2004.
Quanto a Santana Lopes, será coerência ou uma pulsão incontrolável, mas continua igual a si mesmo, isto é sempre imprevisível e errático, debitando da boca para fora o que lhe vem à cabeça quando qualquer aragem que lhe afague o gel muda de direcção.
Quantas vezes já repetiu que o adversário não é o Presidente da República, para logo a seguir passar longos minutos a perorar, não sobre o futuro, mas sobre a "impostura" da dissolução? Perde-se a conta. Constante tem sido igualmente na sua vitimização, desde a incubadora em que toda a gente dava pontapés, passando pelo cartaz em que modestamente se incluia entre os que mais fizeram por Portugal, e por Cavaco que não autorizou a sua imagem em tal companhia, e pelos outros dirigentes e quadros do PSD (perdão, PPD/PSD) que não lhe atendem o telefone, ao facto de o PP agora ser um modelo de virtudes, etc, etc, tem sido um rosário de fazer chorar as pedras da calçada. Ultimamente passou às acusações contra o adversário principal (Sócrates) mas mais uma vez teve azar com os conselheiros, estes enganaram-no, e o alto funcionário que foi chefe de gabinete de Sócrates e depois nomeado para um lugar de topo no Ambiente, não o foi por Sócrates, como Santana disse em comício, mas por Izaltino de Morais, já no governo PSD/PP de Durão Barroso.

A ùltima pedra foi atirada hoje no Forum da TSF por Pires de Lima, do PP, ao admitir que o défice estrutural se situa nos 5%. E Santana que já havia decretado o fim da austeridade!

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