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Ainda o tsunami

2005/01/19

Segundo acabo de ouvir, a contagem actual das vítimas do tsunami que se seguiu ao sismo de 26 de Dezembro no Índico já vai em 226.000 mortos, mais de metade dos quais na Indonésia, mais concretamente na região de Aceh, no norte da ilha de Sumatra.
Esta tragédia registou um movimento de solidariedade sem precedentes, com numerosos países ou ONGs a enviarem fundos e pessoal especializado para os países afectados. Essa "primeira vaga" da solidariedade tem funcionado bem, pelo que nos é contado nos órgãos de comunicação. Bizarro é que essas primeiras ajudas se tenham deparado com dificuldades, sobretudo burocráticas, por parte de alguns dos países afectados (veja-se a demora que a AMI enfrentou para poder desalfandegar o material no aeroporto de Colombo). Outra dificuldade reside nas zonas onde se verificam (há décadas) conflitos armados, como no norte do Sri Lanka, e precisamente no Aceh, onde apesar de os beligerantes terem declarado cessar-fogos temporários, estes nem sempre terem sido respeitados. A segunda vaga da solidariedade é constituída pelos fundos que os vários governos declararam colocar à disposição dos países atingidos para os apoiar na reconstrução, que atinge somas astronómicas. É esta vaga que exige a maior vigilância da comunidade internacional, para que não se repita o que já se verificou em anteriores calamidades, em que as generosas promessas foram seguidas de silenciosos esquecimentos. Só agora se soube que das quantias postas à disposição do Irão na sequência do sismo que destruiu a cidade histórica de Baan (quase exactamente um ano antes), apenas foram recebidos cerca de 17 milhões de dólares. Para além disso, é preciso instituir mecanismos de vigilância e aviso, como o que funciona no Oceano Pacífico. E talvez não apenas no Índico. E com comunicações eficientes, com interlocutores reconhecidos e disponíveis. Várias estações da zona do Pacífico detectaram a possibilidade do tsunami, mas não sabiam a quem comunicar esses dados nos países potencialmente/efectivamente atingidos. Como exemplo, Diego Garcia fica no meio do Índico, só que existe lá uma base dos Estados Unidos. Ninguém morreu em Diego Garcia como resultado do tsunami.

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