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2004/08/31

O inefvel Ministro de Estado, da Defesa e dos Assuntos do Mar (tambm conhecido pelo “general sem farda”) no perde uma ocasio para se apresentar como o ltimo dos patriotas defensores da soberania e independncia de Portugal. O pretexto para se apresentar mais uma vez como homem de aco surgiu agora na forma de uma embarcao que queria entrar nas nossas guas territoriais e acostar a um dos nossos portos.

E que embarcao to temvel seria essa? Um poderoso contratorpedeiro, cujos canhes e msseis poderiam arrasar pessoas e bens que estivessem ao seu alcance? No. Seria ento um barco carregado de terroristas suicidas e explosivos que se atiraria de encontro Torre de Belm, destruindo-a e arrasando toda a zona envolvente? Tambm no. Pelo menos um barco de traficantes de droga, armamento ou imigrantes ilegais? No outra vez. Um superpetroleiro carregado de petrleo bruto com um rombo no casco, que poluiria toda a nossa costa, ou um navio de transporte de resduos radioactivos? O ministro no tem essa sorte, para poder mostrar a sua determinao e bravura, assim como demonstrar evidncia a absoluta necessidade de um enorme rombo nas finanas pblicas para a aquisio de submarinos.

falta de melhor, probe-se a entrada em guas territoriais e o acostamento a uma pequena e desarmada embarcao de bandeira comunitria, tripulada por cidados comunitrios perfeitamente identificados, que antecipadamente haviam comunicado a sua vinda e assumido a responsabilidade de que nenhuma lei portuguesa seria violada. Mobiliza-se a marinha, as polcias e sabe-se l que mais para vigiarem a perigosa embarcao. Controla-se, como se num estado totalitrio se estivesse, todos os que, de barco, vo visitar a dita embarcao (para levar alimentos!), sendo depois exaustiva e rigorosamente revistados no regresso, e deixando a pairar no ar a ameaa de efectuar rastreios mdicos s mulheres que por acaso ponham o p na dita embarcao!

A soberania nacional ficou defendida, mesmo que custa do ridculo internacional e de se ignorar a legislao comunitria.

Tiro o chapu a Santana Lopes: a ideia de colocar Paulo Portas a tratar deste escaldante dossier genial.

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