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Neruda

2004/07/13

Para o meu corao basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegar at ao cu
o que dormia sobre a sua alma.

s em ti a iluso de cada dia,
Como o orvalho tu chegas s corolas.
Minas o horizonte com a tua ausncia.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu s alta e taciturna,
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostlgicas.
Eu acordei e s vezes emigram e fogem
pssaros que dormiam na tua alma.

(Pablo Neruda, poema 12 em “Vinte poemas de amor e uma cano desesperada”, Publicaes Dom Quixote, 1977, 7 edio, traduo de Fernando Assis Pacheco)

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