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2004/06/17

Jos Manuel Fernandes apenas um de entre os muitos cronistas da nossa praa que no gosta que a esquerda se assuma como… bem, como esquerda.
JMF e outros gostam muito dos partidos e personalidades de esquerda, s se irritando com eles/elas quando tomam posies contrrias ao pensamento nico neoliberal dominante na poltica nacional e internacional.
No seu editorial de hoje no Pblico manifesta a sua satisfao pelo aparecimento em catadupa de candidatos e pr-candidatos ao lugar de secretrio-geral do PS, pois “isso abre um espao de debate interno que o partido sente necessrio mas que podia ser abafado pela euforia da retumbante vitria eleitoral”.
Entenda-mo-nos: o aparecimento de candidatos a dirigentes do partido um fenmeno salutar, nada h de pior para um partido, alm do imobilismo, que o (falso) unanimismo, que na realidade apenas esconde, na maioria dos casos, o oportunismo da espera do momento ideal para o assalto ao poder.
A questo aqui o momento em que surgem: precisamente a seguir maior vitria eleitoral do PS e maior derrota da direita. Por razes conhecidas, o PS no pde festejar como gostaria essa vitria. Mas tal no implica que no a capitalize, nos meios de comunicao e no terreno, no perodo ps-eleitoral. O que o pode impedir? Claro que aquilo a que os media gostam de se agarrar: lutas internas, que substituem nas notcias as repercusses da vitria.
Os verdadeiros motivos do regozijo de JMF esto mais frente: “Ferro conduziu o partido para a esquerda (no sentido tradicional da designao)” e “em domnios como a poltica externa, o protagonismo de Ana Gomes distanciou mesmo o partido do que foi a sua linha moderada de quase trs dcadas”.
isto que JMF e outros no perdoam, que perante a maior ofensiva neoliberal de que h memria em Portugal, protagonizada pelo governo de Duro Barroso, e perante a maior ofensiva das foras neoconservadoras, belicistas e unilaterais na cena internacional, prtagonizada pela administrao Bush, haja quem diga que h alternativas, e que as alternativas escolhidas/impostas podem, em vez de resolverem problemas, agrav-los e torn-los quase incontrolveis. Como infelizmente se est a ver.

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