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Terrorismo e nacionalismo

2004/03/11

Os cobardes ataques terroristas desta manh nas estaes ferrovirias de Madrid, que, pelos ltimos nmeros a que tive acesso, mataram mais de 170 pessoas e feriram, estropiaram e traumatizaram milhares de outras, mostram-nos mais uma vez que o terrorismo uma realidade terrvel e complexa, e que o seu combate no se compadece, nem com atitudes timoratas e eventualmente desculpabilizantes ou atenuantes, nem com atitudes maximalistas que assentem apenas na fora bruta e na limitao securitria dos direitos democrticos.

Embora haja ainda indefinio quanto autoria dos atentados, as maiores probabilidades apontam sem dvida para a ETA, e neste caso (no esqueamos a viatura com centenas de quilos de explosivos que se dirigia a Madrid e foi interceptada pela polcia espanhola a semana passada) ao que parece, iniciando uma fase de maior intensidade dos atentados (os de hoje, mesmo sem se conhecer ainda toda a sua extenso, j so os maiores de sempre), o que no pode deixar de questionar a poltica de combate at agora seguida pelo Estado espanhol. Claro que tambm no so iniciativas como as de Carod Rovira, indo conversar com os etarras margem dos rgos do Estado, que devem ser prosseguidas – tratou-se apenas do mesmo voluntarismo, mas de sinal contrrio ao prosseguido pelo governo central. E a deciso de ilegalizar e desmantelar o Herri Batasuna tambm deve ser questionada, mesmo que no haja dvidas sobre as suas ligaes ETA: para todos os efeitos era uma organizao legal, com uma base eleitoral significativa. No sendo nem de perto nem de longe um especialista em luta anti-terrorista, parece-me que um interlocutor melhor que nenhum. Sendo cada caso uma singularidade, a experincia da Irlanda do Norte devia ensinar alguma coisa, embora mesmo a a situao ainda no estar esclarecida e estvel.

Se nenhum terrorismo tem desculpa, o da ETA ainda ter menos que qualquer outro. Se o seu objectivo a independncia do pas basco, este situa-se dentro das fronteiras de pases democrticos (a Espanha e a Frana), onde podem livremente exprimir as suas ideias e lutar por aquilo em que acreditam (como o fazem, alis, vrios partidos e organizaes nacionalistas). Alm disso, o seu grau de violncia em democracia ultrapassou largamente o dos tempos franquistas.

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