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Bush, Clinton, e a noite de farra

2004/02/4

Que G.W. Bush representava uma ameaça global pela sua irresponsável e imperial política internacional, lidando mal com uma ameaça real (o terrorismo internacional), era já facto conhecido de muita gente. A novidade é que essa ameaça se faz sentir mesmo quando Bush lida com a política interna dos Estados Unidos. Tal sucede com os sucessivos orçamentos desde a sua tomada de posse, em que conseguiu a proeza de transformar o enorme superávite legado por Clinton numa sucessão de déficites que os americanos não viam desde L.B. Johnsson. Para não dar pretextos aos nossos guardiães sempre prontos a “responder” com o habitual argumento do anti-americanismo, demos a palavra a eminentes americanos escrevendo em insuspeitos jornais americanos.

Por exemplo, Nicholas D. Kristof, no New York Times de hoje.
“Se formos sérios na oposição às ameaças ao nosso modo de vida, não temos de as procurar nas cavernas do leste do Afganistão. Podemos encontrar uma séria ameaça na ala oeste da Casa Branca, onde a administração Bush desenha a sua política fiscal.” “Se o senhor Bush fosse um conservador genuíno, ele cortaria nos impostos, mas cortaria igualmente na despesa para equilibrar. Se ele fosse um honesto liberal, aumentaria a despesa, assim como os impostos. Em vez disso, o presidente está-nos a convidar para uma noite de farra na cidade e deixando-nos – e aos nossos filhos – com a conta para pagar.” Após citar os exemplos latino-americano e japonês, que cobriu como jornalista e cronista, Kristof recorda um dos discursos de campanha de Bush em 2000, em que este fala do uso a dar ao superavite de Clinton: “O meu plano é reservar uma parte do excedente projectado, um pouco mais de um milhão de milhões dos quatro milhões de milhões, e dá-la às pessoas que pagam as contas”, para concluír que sob a administração Bush os excedentes simplesmente se evaporaram. E recorda que o Fundo Monetário Internacional é que avisou que os déficites orçamental e externo dos Estados Unidos são uma ameaça à economia global.
Só para concluír, Kristof acaba por reconhecer que tem saudades de Clinton, apesar das suas notórias falhas de carácter. Citação final: “O senhor Clinton mentiu sobre sexo e era fraco em outros aspectos, mas estava disposto a dizer à América a desagradável verdade sobre o comércio externo e sobre os orçamentos. Só desejo que o senhor Bush e os seus concorrentes democratas sejam tão honestos com o povo americano como o senhor Clinton foi.”

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