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Asneiras unilaterais, responsabilidades multilaterais

2003/11/26

Interessante e previsvel a lenta mas segura inflexo da administrao Bush a respeito do Iraque. Aps uma das mais escandalosas manipulaes de informao a nvel internacional, com “provas” seguras de tudo o que afirmavam, com um desprezo total por todos, pases e pessoas, que tiveram a ousadia de pensar pela prpria cabea, assim como pelo direito e pelas instituies internacionais, recorrendo chantagem ou ao pagamento de chorudos dlares para garantir apoios, usando e abusando do seu estatuto de nica hiper-potncia a nvel mundial, o resultado o que se v. No Iraque o regime era dos mais odiosos, mas nele no penetravam as correntes terroristas islamistas fundamentalistas e teocrticas. Hoje tudo quanto grupo terrorista se desloca para l, pois em termos de insegurana e terrorismo o que mais se aproxima de um verdadeiro mercado livre, merc dos mais industriosos e empreendedores, e com largas franjas de populao descontente com a ocupao do seu pas e portanto preparada e receptiva para ser recrutada. Saddam continua a monte (tal como Ben Laden e o mulah Omar). A Turquia, o mais laico dos pases de maioria muulmana, sofre com o terrorismo global e v afectado o delicado equilbrio entre as correntes laicas e democrticas e as mais radicais. Quando Bush diz que o mundo ficou mais seguro (aps a ocupao de Bagdad) tal soou como a mais amarga das ironias: que nem para ele ficou mais seguro, quanto mais para “o mundo”!
A grande potncia apostou tudo na invaso de um pas que, como hoje reconhecido, no s no representava um perigo para os Estados Unidos como no teve nada a ver com o 11 de Setembro de 2001. E acreditou (ser que acreditou? que a ingenuidade e o auto-convencimento tm limites) que seriam recebidos como libertadores, e a democracia seguiria logo atrs dos tanques, e os iraquianos seriam mais um povo eternamente gratos aos EUA. Lgrimas de emoo varreram as faces dos crdulos, lembrando-se de outras libertaes e no atentando nas diferenas entre elas.
Seja como for, o Iraque virou um pantanal, o famoso “roadmap” para a Palestina est esquecido num canto, o terrorismo continua a levantar a cabea e a fazer vtimas inocentes. E ainda por cima 2004 ano de eleies presidenciais nos EUA, pelo que falar para um eleitorado a contar mortos e feridos no a melhor das perspectivas. Entra o plano B: vamos voltar a dar a impresso de que somos multilaterais, meter mais pases ao barulho, desde que nos mantenhamos no controlo da situao. No h tempo para fazer constiuies e preparar a transio democrtica, passa-se j no prximo ano as responsabilidades governativas para os iraquianos, ou pelo menos que assim parea. E, milagre dos milagres, as nossas foras transmutam-se de ocupantes a foras convidadas! Um verdadeiro ovo de Colombo. E os outros pases no tm outro remdio seno alinhar, porque mesmo que tenham sido contra a guerra, a salsada que ns crimos agora j os afecta mesmo!
Ao longo da histria muitas vezes muitos pases ou povos tiveram de aceitar factos consumados. Aceit-los e trabalhar a partir da, quer porque no so reversveis, quer porque a reversibilidade acarreta riscos muito maiores. o caso. Mas no deixa de ser uma vergonha, e que seja sobretudo uma lio.

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