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Democracia e mentira

2003/07/22

Como era de esperar, começam agora as broncas para os governos americano e britânico respeitantes aos métodos por eles utilizados para “vender” a necessidade da guerra contra o Iraque. Podiam-se ter ficado pelo carácter ditatorial e sanguinário do regime, para os crimes por ele cometidos ao longo dos anos, sobretudo durante e após a guerra contra o Irão, a agressão e ocupação do Koweit, as represálias contra as populações de maioria xiita e curda após a derrota na guerra do Golfo de 1991.

Podiam, mas não o fizeram, por diversas razões. Primeiro, porque infelizmente não faltam, naquela região e fora dela, os regimes com essas características. A receita vale para todos? Outra razão é que as potências ocidentais têm igualmente as mãos sujas naqueles episódios. Saddam era em grande parte uma criação americana, e foi por estes fortemente apoiado na guerra contra o Irão. Recordemo-nos que mesmo quando um míssil ar-terra iraquiano atingiu (alegadamente por engano) um navio militar americano, estes reagiram mansamente. (Por falar disso, pela mesma altura as forças americanas estacionadas no Golfo abateram um avião civil iraniano carregado de passageiros – imaginem se fosse ao contrário!). E após a derrota das forças iraquianas na guerra do Golfo, a retirada das forças da coligação liderada pelos Estados Unidos deixou à mercê de Saddam os que se haviam levantado contra ele, em especial os xiitas, já que os curdos beneficiaram de outro estatuto.

Os Governantes dos Estados Unidos e do Reino Unido preferiram apimentar os argumentos a favor de uma invasão: a ameaçaa miltar iraquiana (todos os peritos sabiam que actualmente o Iraque estava mais fraco que em 1991), as armas de destruição maciça (antes da guerra eram apresentados mapas e fotografias com a sua localização exacta, agora que estão no terreno não conseguiram encontrar nada – já agora, também não encontraram o Saddam, ou pelo menos um dos seus sósias…), as ligações à al Qaida e a Ben Laden (também se sabia que os dois nem se podem ver um ao outro, mas podiam afinal ser grandes amigos e estar a disfarçar), etc

Pelo caminho, desprezaram a NATO e a ONU, mas de uma forma subtil e venenosa, fazendo de conta que elas contavam muito, montando a máquina de guerra ao mesmo tempo que diziam ser multilaterais e querer negociar dentro das instâncias internacionais. O culminar, para vergonha de Portugal, foi a triste cimeira das Lajes (em que Portugal assegurou os serviços de hotelaria), antecedida de clamorosas afirmações de que era a cimeira da paz e não da guerra, e de que saiu um vergonhoso ultimato ao Conselho de Segurança e o início da agressão.

Mas nas democracias, apesar dos seus defeitos, que são imensos mas ainda assim menores que os de qualquer alternativa, não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.

Mas isso importa alguma coisa para os belicistas missionários, políticos ou escribas? Claro que não; para estes a guerra sempre se justificou. Por alguma razão ela começou a ser preparada pelos dissidentes de Bush senior que agora estão com Bush junior com mais de dez anos de antecedência, e toda a gente sabia disso. Era só preciso esperar até que no “Comando Supremo” estivesse alguém como o dúbio Dubya.

O mais grave é que o terrorismo internacional de alta intensidade é uma realidade (as Twin Towers e o Pentágono foram apenas uma horrenda montra), e, não me parece que esteja a ser correctamente atacado, nas suas causas, no multilateralismo e não no unilateralismo (mesmo que temperado com servos de ocasião), no reforço da cooperação e da troca de informações, no reforço da democracia e do respeito pelas leis internacionais, e não fazendo tábua rasa destas últimas.

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  1. Independente permalink
    2008/07/10 12:53 pm

    DITADURA IMPERIALISTA DO CAPITAL DISFARÇADA DE DEMOCRACIA
    Na verdadeira Democracia não são apenas as eleições mas também a possibilidade real da maioria da população influir no poder controlando e participando da direção. Na realidade não existe modelo exemplar ou forma perfeita de Democracia pois cada povo busca sua própria maneira de construir e desenvolver a sua democracia de acordo com as suas realidades sociais, politicas e econômicas, visando sempre a sua soberania e independência. Os Estados Unidos da América que se julgam os “campeões” de Democracia por exemplo, nada mais são do que uma Ditadura do Capital Monopolista, Ditadura essa que não pode ser contrariada e nem ter oposição. A dita Democracia nos Estados Unidos da América não passa de uma grande fraude um engodo, uma farsa, um faz de conta apenas para dizer e enganar. Toda ruidosa propaganda de “Democracia” nos Estados Unidos da América não é senão uma capa fina por traz do qual fica cada vez mais difícil de não esconder a Grande Ditadura do Capital Monopolista. Os americanos que usam de estratégia as duas palavras consideradas chave “Liberdade” e “Democracia” que quando usadas politicamente por eles não passam de “fachada” apenas para enganar e justificar todas as suas ambições Imperialistas. Existem nos Estados Unidos apenas dois partidos considerados grandes que se revezam no poder a anos e deveria haver mais oposição com ideias novas e diferentes e disputando em igualdade de condições. O Partido Democrata e o Republicano são partidos do Grande Capital Monopolista um pelo outro é a mesma coisa não acrescentam nada, são apenas para enganar ou simular que fazem oposição um ao outro, pois os dois são farinha do mesmo saco é como trocar seis por meia dúzia não acrescentam nada, e os dois contribuem sobremaneira para diminuir a influência de outros partidos e assim manterem o povo prisioneiros da Ideologia Burguesa. Os eleitores são enganados de forma eficaz ao pensarem que votando em um ou outro desses dois partidos haverá mudanças mas nada acontece e basta observar o que acontece na politica dos Estados Unidos da América quando fazem e criam pretextos para dominar o mundo através da política imperialista, belicista, agressiva e terrorista. Os dois partidos tem grande espaço nos meios de Comunicação Social e nas Agências de Publicidade e é exatamente essas que se encontram sob o domínio da classe dominante.
    É bem verdade que nos EUA existem outros partidos mas que não tem a mínima ou nenhuma chance de concorrer com esses dois, tudo porque a Legislação dos EUA dificulta no máximo a participação de outros partidos nas eleições inventando inúmeros subterfúgios e obstáculos jurídicos entre eles por exemplo, a necessidade de recolherem muito milhares de assinaturas num prazo curto realizada em presença de testemunhas e registradas notoriamente a obtenção de Licenças para os coletores de Assinaturas,etc. E mesmo se os outros partidos conseguirem vencer todas as barreiras, as comissões eleitorais privam-nos frequentemente da possibilidade de participarem nas eleições sob o pretexto de as “assinaturas serem ilegíveis” ou outro qualquer pretexto inventado. Em alguns países que tentam tornar-se livres, soberanos e independentes que tentam seguir um caminho na construção da Democracia conforme a sua realidade e considerando a sua política social na construção e no desenvolvimento democrático, o dirigente que for eleito pelo povo e estiver no poder se não fizer o que os americanos querem, e esse dirigente ficar criticando as aventuras belicistas, hostis, agressivas, terroristas do Imperialismo dos Estados Unidos da América, esse dirigente é taxado de Ditador e seu país é rotulado de Ditadura pelo Império. Os americanos tentam de todas as formas se passarem por Paladinos da “Liberdade” e “Democracia” e até usam isso como táctica e pretexto para invadir países que não queiram ficar sob seu domínio e controle, e nem queiram seguir a sua cartilha. Os Imperialistas dos EUA que se apossam das riquezas naturais de outros países para aumentar seu poderio e sua influência. Os Imperialistas dos EUA que usam de maneira estratégica as duas palavras consideradas chave “Liberdade” e “Democracia” mas se algum povo desejar ser livre, independente e soberano e optar por uma via de desenvolvimento na construção de uma forma democrática social e econômica para adaptar a sua realidade politica e social contrariando os interesses do Imperialismo do Capital dos EUA, a tão propalada “liberdade e Democracia” que os americanos tanto afirmam defender deixa logo de existir, e vem golpes, massacres, repressões e guerra.

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