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Os bushistas no seu melhor

2003/07/17

De retorno após uma pausa…

Os bushistas no seu melhor
A guerra acabou, os americanos assumem o seu papel de força ocupante do Iraque, escolhem os seus homens para a constituição do "governo" iraquiano de transição, as empresas ligadas aos homens da administração Bush agarram as empreitadas prometidas (antes de a guerra ter início) etc. etc. Tudo corre pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. Tudo?
Claro que não. À medida que se vão tornando evidentes as mentiras, enganos, desinformações e chantagens a que os governos americano e britânico recorreram para "vender" a guerra ao resto do mundo, são as suas próprias opiniões públicas que os começam a questionar. Um exemplo é a afirmação feita por Bush no seu discurso sobre o estado da nação no início do ano referente à "compra pelo Iraque de material nuclear em Àfrica", e que também constituiu um dos argumentos da patética exposição de Colin Powell no Conselho de Segurança. Já na altura a Agência Internacional de Energia Atómica, pela voz de el Baradei tinha vindo desmentir essa alegação como uma falsificação e mistificação grosseiras, ou seja, uma mentira. Mas na altura toda a gente fez por ignorar, porque se Bush dizia é porque era verdade. Hoje toda a gente sabe que era uma mentira, e Bush atira as culpas para a CIA, esta para os britânicos, estes devolvem a bola, mas o que fica é apenas um exemplo dos métodos utilizados para convencer a comunidade internacional de que se tratava de uma guerra justa. Já não falamos das armas de destruição maciça que ninguém vê apesar de as forças americanas ocuparem o Iraque (mas antes de ocuparem apresentaram "provas") e das alegadas ligações à Al Qaeda, quando se sabe desde há muito do ódio figadal entre os personagens Saddam e Bin Laden. Afinal parece que a única coisa que os une é o serem ambos criações americanas que depois se transviaram.
Mas o que dizem os nossos honestos cronistas e fazedores de opinião, que durante meses repetiram até à exaustão aquelas mesmas mentiras, e acusavam todos os que se opunham à guerra de todas as malfeitorias, de anti-americanismo primário, de órfãos do bloco soviético, de amigos de Saddam e Ossama? Quem estivesse à espera de um mínimo de honestidade e de reconhecimento de que também se enganaram, desengane-se.
Veja-se a crónica de ontem de José Manuel Fernandes no Público. Blair admitiu que as expectativas eram de que a guerra demoraria quatro meses. Como demorou muito menos tempo, será que JMF admite que a propaganda sobre o poderio iraquiano era uma falsidade, e que este era muitíssimo inferior a 1991, devido ao apertado controlo exercido, às zonas de exclusão aérea, etc.? Tal não preocupa o nosso escriba. O que lhe interessa é que isso constitui um grande revés para os que ele considera "amigos de Saddam" e "anti-americanos", porque supostamente estes estariam à espera de uma chacina das forças da coligação. Nem lhe interessa o facto de, segundo os analistas militares, esta ter sido a guerra em que se utilizou maior poder de fogo e destruição por dia de combate desde sempre, com um número enorme de baixas civis (aliás, JMF e outros até se congratularam com o "baixo número de baixas civis"). Veja-se apenas o seu último parágrafo, que diz tudo: "Quase 125 dias depois, e mesmo sabendo-se apenas o que se sabe hoje, caído o regime opressor e aberta uma avenida de esperança para a região, é difícil sustentar que a guerra não valeu a pena. E muito menos que foi injusta e fútil. Só mesmo quem, no fundo da sua alma, preferia a continuação de Saddam no poder a uma vitória militar dos Estados Unidos. Mas isso nunca confessarão." Apanhou-me: isso eu nunca confessarei…

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