Um sistema eleitoral terceiro-mundista no país mais poderoso do planeta
2008/10/26
TIME – 7 Things That Could Go Wrong on Election Day
É uma verdade lapalisseana afirmar que um processo eleitoral deve produzir resultados que estejam de acordo com a vontade dos cidadãos eleitores. Por outro lado, todos os cidadãos que, de acordo com a lei, fazem parte do universo de potenciais votantes, devem estar regularmente registados e ser reconhecidos nas urnas como tal.
Claro que sempre houve alguma tolerância (ou não, consoante quem analiza) em relação a eleições realizadas em países com fraco nível de desenvolvimento (económico, cultural e político), em democracias jovens, em países recém-saídos de conflitos ou guerras civis. O princípio base é (pelo menos do meu ponto de vista) que se aprende e melhora praticando, e que mais vale um resultado político mais ou menos enviezado do que o retorno a uma situação de conflito, com o seu cortejo de tragédias humanitárias.
Mas ninguém esperava o que se passou nos Estados Unidos nas eleições presidenciais de 2000: confusão, um sistema anacrónico e propiciador de fraudes, cadernos eleitorais mal enjorcados e à mercê da arbitrariedade das autoridades estaduais e locais, que discricionariamente “apagavam” milhares de eleitores das listas sob os mais variados pretextos, máquinas de voto pré-históricas (em que nem a leitura mais atenta dos suportes físicos permitia um consenso sobre em quem um dado eleitor tinha votado) ao lado de outras teoricamente super-modernas (as mal afamadas Diebold) que nem deixavam rasto de suporte físico, tornando impossível qualquer eventual recontagem. Como se disse na altura, pareciam as eleições no Burkina-Faso (não era necessário insultar.) Aconteceu em vários estados, mas foi mais notório e escandaloso na Flórida, governada pelo irmão de Bush Jr.
Sabe-se como acabou: os democratas e Al Gore a atirarem a toalha ao chão por esgotamento, e o Supremo Tribunal de Justiça a dar a presidência a Bush Jr.
Hoje há um acordo generalizado de que essa eleição foi roubada (e não apenas por Gore ter tido muito mais votos que Bush – isso é um resultado das regras do jogo). O mesmo aconteceu em 2004 (sendo o Ohio o estado mais em relevo) mas de forma um pouco mais sofisticada.
Mas (e estamos a 10 dias da eleição) os principais problemas permanecem, enquanto outros surgiram, como se pode ver no trabalho da TIME que linkamos acima.












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