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2008/10/22
PONTE EUROPA: A crise financeira e a recessão
A crise financeira e a recessãoCom a mesma facilidade com que os excelsos peritos mundiais lançaram um terramoto nos mercados financeiros garantem agora os especialistas que a tempestade já passou.
Compreende-se a piedosa intenção de tranquilizar os cidadãos que sofrem a borrasca e esperam sobreviver à intempérie, mas os tempos são de instabilidade e o futuro incerto.
Vale a pena recordar, perante o caos assustador dos mercados financeiros, a reacção dos principais dirigentes mundiais. Bush ficou em estado de choque, tal como no longínquo 11 de Setembro, até que o seu secretário de Estado, co-responsável pela tragédia, propôs o plano de 700 milhões de dólares que chumbou no primeiro exame, passou com deficiência no recurso e não resolveu o problema. Era um xarope amargo, criado por Henry Paulson e vendido por Bush, responsáveis pela doença, a pagar em prestações suaves pelas próximas gerações de contribuintes.
Na Europa, enquanto os cúmplices da tragédia, recolhiam magníficas recompensas e as vítimas começavam a perder os empregos e as poupanças, os principais dirigentes políticos pareciam baratas tontas a hesitarem entre o salve-se quem puder e a resposta concertada dos Estados.
Foi perante a ansiedade e desorientação da Europa que apareceu um plano coerente e exequível, da autoria do melhor ministro das Finanças inglesas das últimas décadas, Gordon Brown, que, com a intuição da senhora Angela Merkel, foi acolhido pela União Europeia e aproveitado pelos EUA.
Nicolas Sarkozy e Durão Barroso, oportunistas, quiseram pôr-se nos bicos dos pés e apanhar o comboio do mérito, embora de futuro incerto. Rumaram aos EUA para andarem de jipe, guiados por Bush. Pareciam dois agentes funerários em conversações com um coveiro, à espera do despedimento. Foi o último acto de vassalagem que prestaram ao xerife do Texas.
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