Archive for Agosto, 2008

A vice de McCain e a semente do diabo (a ler outros blogues)

Não sei se a escolha de McCain para a vice-presidência foi “um golpe de génio”, “um coelho da cartola” ou “McCain no seu melhor”, como já li e ouvi em múltiplas fontes.

O que sei é que a actual governadora do Alasca é uma representante da América no seu pior, depois de ler as biografias publicadas após a escolha desta figura, para mim (e ao que parece para a maioria dos americanos, mas isso resolve-se) desconhecida.

É por isso (mas não só por isso) que recomendo vivamente a leitura do post de Palmira Ferreira da Silva no De Rerum Natura, A Semente do Diabo.

1 comment 2008/08/31

Mário Pinto de Andrade

Sou, assim, um Africano de Angola.


“É justamente porque nasci em Angola, país africano em que vivi e
aprendi a conhecer a realidade colonial, que afirmo e defendo a minha angolanidade.
E sobretudo: ajudei e continuo a ajudar, na medida das minhas
capacidades intelectuais, a fazer respeitar internacionalmente o
direito do povo angolano a dispor de si próprio.”


Excertos da declaração de Mário Pinto de Andrade perante a polícia francesa de estrangeiros, 24 de Agosto de 1973.

Em 2008 passam 80 anos sobre o nascimento de Mário Pinto de Andrdade, figura maior do nacionalismo angolano e africano e da luta anti-colonial. No passado dia 26 de Agosto passaram 18 anos sobre o seu falecimento.

A Fundação Mário Soares, depositária de um importante espólio documental sobre Mário de Andrade, recorda a figura, as suas actividades, os seus amigos e família. Uma visita obrigatória para quem queira compreender a actualidade angolana e africana.

Rabat Kesha (ANC), Marcelino dos Santos (CONCP, FRELIMO), Amália Fonseca (CONCP, PAIGC), Nelson Mandela (ANC), Mário Pinto de Andrade (CONCP, MPLA) e Aquino de Bragança (CONCP) em Rabat, Marrocos, em 1962.

Nota 1 – CONCP – Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas
Noya 2 – Foto retirada do site da Fundação Mário Soares.

Com um agradecimento ao Simão pelo link.

1 comment 2008/08/30

Gostei de ler

Agenda comunicacional

Por Sofia Loureiro dos Santos

A criminalidade violenta, ou seja, a visibilidade da criminalidade violenta, é cíclica e sazonal, costuma acontecer nas férias de verão, e alterna com a intensidade dos incêndios e da área ardida.

Com falta de notícias sumarentas, sem bombeiros para falarem da inépcia dos governantes, nada melhor do que massacrar os cidadãos com os assaltos à mão armada, a ineficácia das polícias, a violência dos criminosos.

Claro que o PSD, também à falta de melhor ideias, pede logo a demissão do MAI. Sim, isto não se admite, se o ministro fosse Aguiar Branco, os ladrões e os assassinos já teriam mudado de país, ou ter-se-iam convertido à prática da caridade.

Melhor ainda esteve Cavaco Silva, que em vez de sossegar as pessoas que estão com a sensação de que serão mortas mal se acerquem de uma caixa multibanco ou encham o carro de gasolina, resolveu dizer que a onda de assaltos era uma coisa muito séria. O que não disse e devia dizer era que as medidas tomadas eram adequadas, que o aumento da criminalidade é sempre preocupante mas não é nada de espantoso, observando-se o que se passa no resto da Europa, e que os cidadãos podem confiar nas suas forças de segurança.

Claro que o responsável do Gabinete de Segurança, Leonel de Carvalho, apesar de afirmar que o crime aumentou cerca de 10%, nada catastrófico nem razão para tamanho alarido, sente que não tenho a categoria para que possa ser posto em causa por palavras do senhor presidente da República. Valha-nos Santo Ambrósio!

Mas a cereja em cima do bolo é José Magalhães mostrar disponibilidade para alterar o código do processo penal que, se não estou em erro, foi revisto em 2007!

E quem é que manobra a agenda política? É que parece que somos todos manobrados pela comunicação social.

1 comment 2008/08/29

Uma opinião europeia sobre o conflito no Cáucaso

Paul Quilés foi ministro e é actualmente responsável para as questões de defesa do Partido Socialista Francês.

[Os realces a negrito são meus]

Le Figaro – Débats : La guerre du Caucase, un test pour l’Europe

La guerre du Caucase, un test pour l’Europe

19/08/2008

Il est difficile de dire, comme souvent dans les conflits entre États, qui a commencé et quand cela a commencé ! Sans remonter aux Mongols et au Moyen Âge pour essayer de comprendre les origines de l’affrontement entre Russie et Géorgie à propos de l’Ossétie, on voit bien que la décision de Staline de la séparer en deux entités, l’une rattachée à la Russie, l’autre à la Géorgie, pèse encore de tout son poids.

Celui-ci pensait alors contrer de la sorte les «tentations nationalistes» des peuples composant l’Union soviétique. De fait, ces tentations n’ont pas disparu et, dans un contexte pourtant différent, les réflexes reviennent, attisés par les convoitises et les visées géostratégiques des parties en présence : réflexe de domination «impériale», hérité des Soviétiques, pour une Russie qui utilise les mouvements sécessionnistes (Abkhazie, Ossétie) afin d’essayer de garder pied dans le Caucase, une région où elle a perdu des positions depuis 1991 ; réflexe de «guerre froide», pour un dirigeant géorgien voulant forcer la main aux «Occidentaux», en réalité aux Américains, engagés depuis plusieurs années dans un processus d’encerclement de la Russie, par le biais de l’élargissement de l’Otan.

À ces paramètres s’ajoute la forte odeur de pétrole et de gaz, qui imprègne les relations internationales dans cette partie du monde et qui conditionne les stratégies de la plupart des intervenants.

D’autres conflits sont encore possibles dans cette région. On pense notamment à l’Abkhazie, où stationnent 3 000 soldats russes et qui présente un intérêt stratégique important pour la Russie. Comment faire alors pour stopper ces enchaînements, qui risquent de conduire, de façon presque inéluctable, à des conflits meurtriers et contagieux ? On voit bien que les États-Unis sont empêtrés dans des contradictions insoutenables, compte tenu de leurs interventions militaires, notamment en Irak et qu’ils auront du mal à se présenter en médiateurs acceptables.

Une fois de plus, compte tenu de sa composition et de ses modes de fonctionnement, le Conseil de sécurité de l’ONU restera impuissant.

Quant à l’Union européenne, présidée actuellement par la France, que peut-elle apporter aujourd’hui de concret pour contribuer à résoudre le conflit ? Le retour annoncé par Nicolas Sarkozy de notre pays dans l’organisation militaire intégrée de l’Otan a été compris comme un alignement sur les thèses de l’Administration Bush et ne met donc pas l’Union dans une situation favorable pour une médiation efficace.

Et pourtant, devant ce type de conflits aux frontières de l’Europe, l’Union devrait être en mesure d’aller au-delà des gesticulations diplomatiques, probablement sans lendemain. Il ne suffit pas d’éprouver de la répulsion face à la brutalité du pouvoir russe et de l’agacement devant le caractère autoritaire et provocateur du président géorgien. Si elle veut compter vraiment, l’Union européenne devra à la fois manifester clairement son autonomie par rapport aux États-Unis dans l’appréciation des conflits internationaux ; montrer sa cohérence et sa fermeté dans les réponses qu’elle propose d’apporter aux dossiers mettant en cause la paix et la sécurité ; réaffirmer et prouver sa volonté de construire une défense européenne crédible, qui ne se confonde pas avec un appendice de l’Otan ; montrer sa capacité à traiter avec la Russie, tant sur le plan politique que sur le plan commercial.

En particulier, il ne sert à rien de feindre d’ignorer que la Russie détient d’énormes réserves d’hy­drocarbures et qu’il existe une relation d’interdépendance objective entre celle-ci et les pays européens. La conclusion d’un partenariat énergétique formalisé entre l’Union européenne et la Russie pourrait prendre acte de cette interdépendance, ce qui ne signifie naturellement pas qu’il faudrait alors tout accepter de la Russie, mais cela permettrait certainement d’améliorer le dialogue.

C’est à ces conditions, me semble-t-il, que l’Union européenne pourra jouer un véritable rôle sur le plan international, qui consacrera son statut, encore incertain, de puissance régionale.

Add comment 2008/08/28

Naomi Klein sobre Obama

Enquanto em Denver, na Convenção do Partido Democrático, se prepara a entronização de Barak Obama, Naomi Klein, em entrevista à The Real News Network, chama a atenção para aspectos mais nebulosos ou mesmo totalmente ausentes da plataforma do candidato

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Add comment 2008/08/27

Engatou ou não a beldade búlgara?

Essa é que é a grande questão: com esta canção do bandido, João Carlos Espada engatou ou não a beldade búlgara?

No Expresso de 2008.08.23:

Um dos mais difíceis temas de Verão é o da influência da temperatura no código de vestuário. O assunto terá perdido alguma premência com a nova moda masculina de prescindir da gravata – uma tendência entusiasticamente promovida pelo actual Presidente do Irão, cujo nome me escapa. Mas a gravidade do tema está ainda presente nalguns sectores.

É o caso do Oxford & Cambridge Club, em Londres. Todos os anos
a «newsletter» de Julho inclui uma nota sobre o calor e o traje.
Recorda ela, basicamente, que as altas temperaturas não anulam o «dress
code» do Clube, embora algumas atenuantes sejam concedidas. Estas
incluem a não obrigatoriedade de gravata até às 11 da manhã, aos dias
de semana, e ate as 18h, nos fins-de-semana. Mas o casaco continua a
ser obrigatório a todas as horas, a menos que um dístico à entrada, nos
dias mais quentes, assim o anuncie.


(…)

Tendo lido esta nota numa manhã de lazer, decidi promover um
inquérito sobre o tema. No balcão do bar, interroguei o velho
empregado, um imigrante grego há décadas instalado nesta área do Clube.
O bom homem pareceu surpreendido com a minha pergunta sobre a razão de
ser do «dress code». O assunto parecia-lhe óbvio: «Este é um
‘gentlemen’s club’, sir».


(…)

Interroguei em seguida a jovem beldade que se encontrava na
recepção do clube, logo à entrada do 71 Pall Mall. Chegara há uns meses
da Bulgária, e gostava imenso de Londres, assim como de trabalhar no
clube. Código de vestuário? É claro, disse-me ela, trata-se de um
‘gentlemen’s club’. E eu concluí, já instruído pelo grego do bar: se
não tivesse código de vestuário, deixaria de ser um ‘gentlemen’s club’?
Ela envolveu-me num amplo sorriso: «Esse é exactamente o ponto, sir. É
como dar gorjeta: não pode dar gorjeta aos empregados, nem estes podem
aceitá-la, num ‘gentlemen’s club’». Finalmente, com um novo sorriso
envolvente, rematou: «Eu realmente adoro este vosso clube. Devíamos ter
clubes destes, na Bulgária. Mesmo assim, eu preferiria Londres».

Add comment 2008/08/25

Benfica Olímpico: 2 medalhas de ouro e uma de prata

Nelson Évora, campeão olímpico do triplo salto.

Vanessa Fernandes, vice-campeã olímpica do triatlo feminino.

Angel di Maria, campeão olímpico de futebol pela Argentina (tendo marcado o golo decisivo).

Add comment 2008/08/23

Sejam benvindos à nova guerra fria

Pepe Escobar faz o ponto da situação no The Real News Network.

E o perigo é que não se vê qualquer diferença entre McCain e Obama.

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Add comment 2008/08/21

A NATO, a UE, os EUA, a Rússia, e o novo grande jogo

1. O fim da União Soviética colocou os Estados Unidos na cómoda/ingrata situação de única superpotência planetária.

2. Os países ex-membros do Pacto de Varsóvia, mais a Albânia, tiveram a oportunidade de efectuar a transição para regimes democráticos de forma pacífica, com maior ou menor sucesso.

3. A Checoeslováquia, por vontade sobretudo dos Eslovacos, cindiu-se em dois países, num processo exemplar pela forma pacífica como decorreu.

4. A Ioguslávia foi o primeiro, dramático e sangrento teste do novo grande jogo: aquele que visa manter a Rússia numa posição humilhante de subordinação face à superpotência e ao “ocidente”, para isso exacerbando os nacionalismos e a promoção da criação de Estados-clientes, mesmo que, como é o caso do Kosovo, contra as leis internacionais e chefiados por “ex”-terroristas islâmicos e barões da droga.

5. A Rússia está muito longe de ser um modelo de democracia, de respeito pelos direitos humanos, ou de preocupação com as autonomias. Quanto à democracia, não lhe será certamente imposta do exterior (se é que se aprendeu alguma coisa com os anos e as aventuras recentes). Pelo contrário, mesmo as forças democráticas e que se opõem às actuais chefias russas, não gostam que outros países ameacem ou humilhem a Rússia. Quanto às autonomias, o exemplo da Chechénia fala por si, mas muitos outros existem e apenas esperam a altura certa para se manifestar.

6. A expansão da NATO, quer em atribuições, em número de países, e em território (virtualmente qualquer ponto do mundo), para além de visar a consolidação do poderio dos Estados Unidos, visa o cerco da Rússia, aumentando a sensação de humilhação neste país, o que não parece ajudar as forças democráticas internas, e fornece o pretexto para uma corrida armamentista por parte da administração russa.

7. No âmbito desse cerco, os EUA acordaram com dois países da União Europeia (República Checa e Polónia) a instalação de rampas de mísses, supostamente para contrariar a ameaça do Irão (que não constitui qualquer ameaça nesse sentido). O que têm a dizer a União Europeia, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e os restantes Estados membros (se é que alguém lhes perguntou alguma coisa)?

8. Foi feita a promessa, à Geórgia e à Ucrânia, da sua integração na NATO. Com base nessa promessa, o incendiário e corrupto Presidente da Geórgia (sim, eu sei que ele foi eleito, numa campanha largamente financiada pela organização conservadora americana National Endownment for Democracy) decidiu lançar um ataque com aviões e artilharia contra a capital da Ossetia do Sul, o que a Rússia logo aproveitou para fazer uma demonstração de que os rumores de que tinha passado a ser uma potência de segunda classe eram largamente exagerados.

9. A força da contra-informação:
-nos meios de comunicação apenas passam as forças russas na Geórgia, assim como as populações e as suas queixas legítimas de familiares mortos ou feridos, e habitações destruídas; os estragos feitos pela Geórgia na Ossetia do Sul, as habitações destruídas e as populações deslocadas desapareceram, ou seja, não existem;
-ao ler um jornal, ouvir um noticiário ou comentário, ou ver um telejornal, se alguém ousar dizer que tudo começou pela irresponsabilidade do “nosso homem em Tbilissi”, ainda haverá alguém que acredite?

Add comment 2008/08/20

Geopolítica da Geórgia – muito mais do que território

Add comment 2008/08/13

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