Legislativas, debates e etc

2005/02/16

Esta campanha eleitoral, paradoxalmente, é das mais chochas a que já se assistiu. Isto em termos de debate e esclarecimento político, porque em termos de trapalhadas, oportunismos, demagogias baratas e "perfis" é das mais preenchidas.

Quando a situação económica, financeira e social do país é o que se sabe, quando a União Europeia, depois de um apressado alargamento sem o necessário aprofundamento, se prepara para os referendos ou ratificações do chamado tratado constitucional, quando a situação internacional e a clarificação das relações UE/EUA mereciam um debate aprofundado, ouvem-se apenas declarações de intenções e objectivos ou, na maior parte do tempo, lamúrias e insinuações.

Santana Lopes tem sido o mestre desta última especialidade. No partido, queixa-se de que todos lhe batem (verbalmente ou com a porta). Os jornais, batem-lhe. As empresas de sondagens, batem-lhe. Para fugir da tareia, faz insinuações torpes aproveitando a onda de boatos que também caracteriza esta campanha, ou queixa-se da maldade do Presidente da República e da "pesada herança" que Guterres lhe deixou. Quer ganhar votos na base de que as pessoas têm sempre pena das vítimas e dos abandonados. Não lhe passa pela cabeça que se quase todas as principais figuras do seu partido fogem à sua aproximação é devido à imagem que ele próprio criou de incompetente, trapalhão, populista, negligente, cujo único objectivo é a sua promoção pessoal. Quando se tratava apenas das revistas de coração era mais fácil, agora é-lhe difícil ter boa imprensa, tirando Luís Delgado e pouco(a)s mais.

Paulo Portas continua a sua caminhada de pequeno lorde precocemente envelhecido. As figuras tristes a propósito da trasladação de Maggiolo Gouveia ou do Born Diep são pouca coisa: ao lado de Santana, até Portas faz figura de sério, competente, Homem de Estado. O fatinho às riscas faz o resto.

O cume do oportunismo (até agora) deste governo (?) da direita foi o aproveitamento (ou tentativa de) da religiosidade popular para, pelo falecimento da Irmã Lúcia, suspender a campanha, cancelar uma entrevista televisiva, decretar luto nacional (!!) e, cereja no cimo do bolo, aparecer no debate de fato e gravata preta (quase se pode imaginar Portas a dar uma batida na testa a castigar-se por não ter pensado nisso).

Entry Filed under: Igreja/Religião, Portugal, governo, política. .


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