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Ninguém vai ter saudades do Khadaffi, mas acabemos com a hipocrisia

2011/09/25
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O levantamento dos insurrectos líbios contra o regime de Khadaffi, na sequência dos acontecimentos do Egito e da Tunísia, aparentemente veio lembrar ao ocidente que Khadaffi era um tirano, depois de durante quarenta anos ter mantido com ele uma relação de arrufos, em que ou era terrorista (de facto apoiava grupos terroristas, como toda a gente sabia), ou quando convinha (após o 11 de Setembro de 2001, nomeadamente), já não era terrorista, e era a época dos grandes negócios e dos apertos de mão, a que nenhum país escapou (embora em Portugal se goste muito de enfatizar as visitas de José Sócrates a Tripoli e de Khadaffi a S. Julião da Barra, onde montou a sua tenda).

Dos Estados Unidos (os dois Bush, pai e filho, bem como altos membros dos seus gabinetes, Obama – como se verá no vídeo mais à frente),  o rei João Carlos de Espanha e altos membros do governo espanhol, Sarkozy, membros do governo alemão, Berlusconi, pelo menos altos membros de governos britânicos, etc. etc. todos prestaram vassalagem ao autor do Livro Verde.

Mas de repente, como por um passe de mágica, tudo isso é como se nunca tivesse existido. E a cumplicidade objectiva em quarenta anos de desmandos desvanece-se, e os chefes de governo do Reino Unido e da França podem aparecer em Tripoli como os verdadeiros heróis da libertação!

Mas há outros aspectos preocupantes. A resolução da ONU tinha limites muito claros. A NATO pega neles e ultrapassa-os claramente, e onde era suposto proteger as populações, bombardeia as populações, sejam adultas, mulheres, crianças ou idosas, desde que estejam do outro lado. Isso foi testemunhado por dezenas de repórteres nos locais, mas infelizmente como se sabe é preciso procurar muito para encontrar essas informações, de tal modo a informação está dominada pelos media mainstream.

Khadaffi continuou a praticar ou mesmo a aumentar a sua violência sanguinária? Não tenho qualquer dúvida a respeito disso, é o que está e sempre esteve na sua natureza, e só poderia aumentar ao sentir-se acossado.

Um novo regime está em vias de tomar posse na Líbia. Só lhe podemos desejar, para bem do povo Líbio, as melhores felicidades. E capacidade para resistir aos que vão apresentar as facturas. Porque eles sabem que, apesar da bravura daqueles que lutaram cá em baixo, sem os aviões da NATO a substituír umas inexistentes artilharia e aviação, tudo seria ou muito mais dificíl ou pelo menos não para já.


 

Apelo da “Jewish voice for peace”

2011/09/18

Transcrevo aqui a última newsletter que recebi da Jewish voice for peace, a propósito da intenção da Autoridade Palestina de solicitar a sua integração como membro de pleno de pleno direito nas Nações Unidas, e antecipando o mais que provável veto dos Estados Unidos a essa pretensão.

Dear António,

Forty-one.

That’s the number of times the United States has used its veto in the United Nations Security Council to block efforts to secure Palestinian rights over the last 40 years.

Now the United States and Israel want the Palestinian Authority (PA) to drop its bid for recognition at the United Nations —and if the vote goes to the United Nations Security Council as soon as next week, we think the U.S. might make that veto forty-two.

That’s just plain wrong.

Please join 20,000 others in telling U.S. Hillary Clinton and UN Ambassador Susan Rice that the U.S. must NOT veto yet another push for Palestinian rights.

To be sure, the Palestinian Authority bid for UN recognition is complicated. Israel and the United States- and their Jewish institutional backers—say they are opposed because such a move would be “unilateral”. But what is more unilateral than a 44-year-long military occupation of another people? And what forum more multilateral than the United Nations?

Israel and the United States also say the Palestinians should return, instead, to the peace process. But the so-called “peace process” has meant several decades of expanding settlements and illegally confiscated land.

That said, and despite the emptiness of Israeli and U.S. rhetoric, there are real criticisms of the PA’s effort. Palestinian leaders and civil society organizations have raised a number of concerns ranging from questions about the Palestinian Authority itself to the possible negative significance of the UN vote for refugee rights.

As a Jewish-American organization, we know that Palestinians will be the ones who have to figure out their most effective strategies.

But we also know we need to continue to speak out for one thing everyone agrees upon:

stopping the United States from continuing to play an obstructive role in securing a lasting and just peace.

No matter what happens, the significance of the vote will be dwarfed by what happens the next day. There will still be an occupation. There will still be refugees. There will still be no Palestinian state.

But there will be an extraordinary nonviolent people’s movement in Palestine, in Israel, in the United States, everywhere in the world—and we should use the moment to escalate our demands for justice, fairness, and a future for all people in the region.

Our Palestinian and peace-loving Israeli allies on the ground will need our support more than  ever—and we’ll be ready to provide it.

But for today, let’s send the United States a message. The world is watching. USA? What side are you on?

For freedom,
Cecilie Surasky, Deputy Director
Jewish Voice for Peace
P.S. Please read our in-depth statement and exploration on the issues here.

Qual a melhor estratégia para o PS?

2011/06/7
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Não sendo militante, não tenho palavra a dizer, apenas opinião como cidadão.

Mas também não me vou pronunciar acerca de nomes, não se sabendo ainda quem são os candidatos, isso é tarefa dos meios de comunicação atirarem o barro à parede, às vezes autonomamente, outras vezes incentivados, mas também não vou especular sobre isso.

É outro o magno problema que se me colocou: deverá ser um dirigente para levar a sério, para começar a construir a alternativa com o apoio maioritário do partido, ao mesmo tempo que se cumprem na Assembleia da República os compromissos que foram assumidos com as instituições internacionais, ou um dirigente transitório, para queimar numa primeira fase, etc.. Claro que uma estratégia destas, com o seu quê de maquiavelismo de uns e de ingenuidade de outros, nunca é assumida explicitamente, e por vezes sai furada.

Eu (que sei eu?) apostava numa solução forte desde já. Claro que só o tempo nos dirá se a aposta foi boa ou não, mas por isso é que é uma aposta, e neste caso procura-se minimizar os elementos aleatórios. Ora o maior elemento aleatório para mim reside nas populistas eleições diretas, que substituíram as eleições em congresso.

A ver vamos.

Citação (de um curto post todo ele interessante)

2011/06/7

Finalmente, mesmo para quem esteja por algum tempo confinado aos quatro canais da televisão e não tenha de ouvir a toda a hora o Relvas, nem de escutar o Crespo e a maior parte dos seus insuportáveis convidados, há novidades que não podem ser omitidas. O cheiro a carniça trouxe pelo segundo dia consecutivo o execrável Moniz para o prime time da RTP, que agora até dá notas e critica com veemência o sufocante controlo imposto por Sócrates à comunicação social.

Bem vistas as coisas não há que estranhar: Moniz, além de não ter qualquer vergonha na cara, está a posicionar-se para a privatização e a RTP, citando Castrim, é uma velha prostituta que serve com idêntico fervor os sucessivos “clientes”…

JM Correia Pinto, Isto começa mal, a começar por Passos, na POLITEIA

Declaração de voto em dia de reflexão

2011/06/4

Neste dia os cidadãos deviam ponderar sobre o que ouviram ´das várias forças políticas durante a campanha eleitoral e, com um ar circunspecto, decidir em consciência em quem irão votar.

Lamento, mas acho o dia de reflexão uma hipocrisia. Parece-me que neste dia a maioria das pessoas que irão votar já decidiram há muito tempo em que partido irão votar. Por outro lado, os órgãos de comunicação, que nesta campanha atingiram níveis por mim nunca vistos de enviesamento e parcialidade, também não respeitam o dia de reflexão, apenas são mais cuidadosas na forma de apresentar as notícias.

O CDS/PP procura reforçar o seu nicho de mercado, com vista a ganhar poder negocial caso se coloque a hipótese de uma coligação com o PSD (cada vez mais provável, a acreditar nas últimas sondagens). Nada de novo por ali, as mesmas ideias conservadoras, mas no entanto, caso se concretize aquela coligação, vamos ter uma situação paradoxal: o CDS/PP será (poderá ser) um travão a algumas das propostas mais ultra liberais do PSD de Passos Coelho.

Quanto a este, é certamente o PSD mais à direita de sempre. Não apenas pelas ideias ultra liberais que Passos vem defendendo desde o princípio (na saúde, com o abandono da universalidade dos serviços prestados, na educação, com o financiamento estatal de escolas-empresas em locais onde existe ensino público, em detrimento do investimento na qualidade deste, na política social, no trabalho, na política fiscal, na política de privatizações, e outras), como por, devido ao facto de nunca ter estado tanto tempo afastado do poder, à volta de Passos se ter juntado uma multidão de ressabiados (e não me refiro apenas à Dra. Manuela, que é apenas a face mais patética dessa turba) e de oportunistas que, aproveitando-se da situação do país e do acordo com a UE/BCE/FMI, querem introduzir alterações à legislação, nomeadamente fiscal e laboral, que não constam do acordo nem têm qualquer impacto na competitividade do país.

A ideia peregrina de privatizar a Caixa geral de Depósitos foi prontamente rejeitada, mesmo por economistas e gestores próximos do PSD e do CDS, que sabem da importância de ter um banco estatal com aquelas características, sobretudo nas atuais circunstâncias (o que não invalida alterações estatutárias quanto ao seu objecto e à sua independência).

A CDU e o Bloco de Esquerda parecem ter como missão única prejudicar os governos PS e facilitar os governos da direita. Parece uma afirmação muito forte? E certamente merecedora, por parte daqueles dois partidos, dos habituais epítetos de reacionária, e pior, pois eles apresentam-se como “a esquerda”, e está tudo dito, fora disso é direita. Quero eu dizer com isto que, a contrario, eles deveriam facilitar os governos do PS? Não, nem por sombras! Deveriam ser exigentes com o PS para que se mantivesse (mais) fiel à sua matriz de esquerda, não cedendo mais do que o necessário a um certo pragmatismo governativo. Mas é sempre necessário um certo pragmatismo governativo. Mas igualmente a CDU e o Bloco devem admitir que não são cristalinamente puros, e que um certo pragmatismo seria necessário se de facto estivessem interessados em defender os interesses dos trabalhadores, e não apenas a sua imagem como Cavaleiros da Revolução (que obviamente não são).

Fica o PS. Estou satisfeito com o PS e com José Sócrates? Claro que não, só um seguidista acéfalo poderia responder afirmativamente. O estilo de Sócrates deixa muito a desejar, é verdade que muitas vezes roça a arrogância, mas não estou a votar num concurso de personalidades. O PS cometeu muitos erros? Claro que sim, até seria fastidioso enumerá-los aqui. Por exemplo, e para citar alguns dos mais falados, muitas das Parcerias Público Privadas não fazem qualquer sentido, e são financeiramente ruinosas. Muitas vias de comunicação construídas em formato de auto-estrada poderiam ter sido construídas noutro formato, mais barato. Devia-se ter apostado mais na correção do que foi um grande erro que remonta ao cavaquismo, a recuperação da rede ferroviária. Mas, paradoxalmente, e talvez à exceção de alguns pormenores, não são do governo os erros que conduziram à crise da dívida, e só o analfabetismo ou o oportunismo de alguns comentadores/economistas/gestores puderam deixar criar uma situação em que os eleitores vão para uma eleição totalmente desinformados (e, já agora, igualmente a falta de resposta do PS e do governo, apanhados já numa situação em que tinham de jogar à defesa). Os órgãos de informação numa primeira fase ainda se socorreram dos “economistas” (eufemismo com que designam os economistas oficiais e ortodoxos – se se verificar, por exemplo, em Portugal, eram sempre os mesmos, das mesmas áreas e a dizer as mesmas coisas) nenhum explicando a evolução da crise desde a sua génese na crise do subprime nos EUA, aos ataques dos especuladores financeiros às dívidas soberanas de alguns países, sob o olhar benevolente do Banco Central Europeu.

Mas independentemente da crise orçamental e da dívida externa, o governo do Partido Socialista foi o que mais avançou numa série de áreas que foram deixadas esquecidas ao longo de anos por outros executivos, áreas fundamentais para o desenvolvimento do país.

Uma dessas áreas foi a das políticas sociais, com a introdução do complemento solidário para idosos e da rede de cuidados continuados de saúde. A reforma da segurança social tornou-a sustentável por um maior período de tempo, e com um saldo financeiro de tal maneira elevado que a direita o quer utilizar… para pagar as políticas liberais de Passos Coelho.

Outra foi a aposta na investigação e no conhecimento, com a ligação a conhecidas instituições universitárias internacionais (não é para agradecer, vejo nos blogs e na comunicação em geral cientistas portugueses que beneficiam de forma ímpar com essa colaboração – e reconhecem-no – a apelar ao voto noutras forças: espero que não digam que estavam sujeitos a alguma forma de asfixia).

As exportações beneficiaram igualmente com essa colaboração, sendo esse o caminho a seguir, e não uma redução dos custos laborais (via Taxa Social Única) que não teria qualquer peso, seria absorvida como lucro pelas empresas, dava o sinal errado de que não se deve apostar na inovação e sim nos baixos salários, e colocaria problemas de financiamento da segurança social que teriam de ser colmatados através de impostos.

Na campanha eleitoral os outros partidos procuraram igualmente desvalorizar a aposta pessoal de Sócrates nas energias renováveis. Os mais críticos disseram que Sócrates é um homem sem visão. Talvez. Mas como não dispomos de nenhum “visómetro”, aceitemos pelo menos o facto de que ele neste caso acertou: essa aposta, com resultados visíveis mesmo sabendo-se que esta  é uma daquelas áreas em que os grandes resultados só podem surgir a médio/longo prazo, é elogiada internacionalmente, e as empresas portuguesas do ramo estão nos principais mercados (como os EUA), do mesmo modo que existem associações com empresas japonesas de viaturas elétricas para se produzirem em Portugal baterias e se constituir uma rede de abastecimento.

Finalmente, no que toca ao governo electrónico, ou às relações da administração pública com os cidadãos através da internet, Portugal é líder mundial, e recebe em anos sucessivos prémios pelas suas boas práticas nesta área, fornecendo também assessoria a outros países.

Noutras áreas, como a educação, apesar das resistências corporativas, foram introduzidas as alterações possíveis, melhorando o que praticamente não existia, nomeadamente no que respeita à avaliação dos professores.

Não vale tornar mais longo o que já longo vai.

Vou voltar a votar PS.

Manuela Ferreira Leite: o escândalo ou a verdade escondida de muita gente?

2011/05/29

Ontem a ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, numa intervenção num comício da campanha com a presença do atual líder, Pedro Passos Coelho, pediu desculpa a este para dizer o que lhe ia no mais profundo da sua alma: que não andava à procura de um novo primeiro-ministro, mas sim que José Sócrates saísse de primeiro-ministro. Até aqui tudo (quase) normal, pode-se interpretar como uma forma eufemística de, ao mesmo tempo que se manifesta o ódio a Sócrates, se apoia o PSD sem se mencionar Passos Coelho (que Ferreira Leite nem sequer considerou para candidato a deputado nas legislativas de 2009). Mas o ódio a Sócrates volta a suplantar todo o bom senso logo a seguir quando a senhora que chegou a ponderar suspender a democracia por seis meses diz que nem fica tranquila com Sócrates no Parlamento, pois que aí ele poderá ser tão pernicioso para o país como no governo.

Ao ouvir-se falar Ferreira Leite podia-se sentir todo o fel destilado, e iria jurar que conseguia ouvir os dentes a ranger. E é verdade que Passos Coelho, nitidamente apanhado desprevenido, procurou pôr alguma água na fervura e colocar a questão noutros termos. Mas não nos enganemos, como Ferreira Leite há lá muitos/as, e à primeira oportunidade, se for esse o caso, Passos será engolido vivo.

Participação de imigrantes na campanha eleitoral e xenofobia

2011/05/23

Vale a pena ler o post de André Gonçalo Pereira sobre este assunto no Ponte Europa. Para vermos até que ponto a nossa comunicação social (uma parte cada vez maior dela) pode descer, aparentemente desconhecendo as responsabilidades que também lhe cabe na (in)formação, e não (apenas?) na propaganda.

Só não concordo com a proposta que AGP faz da criação de círculos eleitorais para imigrantes. Acho, claro, que se deve avançar para uma cada vez maior integração das populações imigrantes, inclusive através da concessão do direito de voto. Mas sou contra os círculos específicos para imigrantes, ou que haja uma quota de imigrantes no Parlamento, pela mesma razão que sou contra as quotas das mulheres, por exemplo.

Sei de mulheres parlamentares que querem que se saiba que estão lá pelo seu mérito e não pelo seu género (aqui e noutros países). O mesmo se passa com a afirmative action nos EUA: muitos negros que concluiram os seus cursos de medicina ou direito fazem questão de tornar claro que entraram na universidade porque tinham notas e valor para isso, e não porque havia uma quota à espera deles.

No entanto tenho consciência de que se trata de um assunto mais complicado, que já deu origem a muitas e inconclusivas discussões.

Serviço público do Aventar – tradução do memorando

2011/05/11

O Aventar é um dos blogs que eu sigo no meu Reader. Concordo com umas coisas, não concordo com muitas outras, mas se o sigo é porque acho que no geral vale a pena seguir.

Quando, na semana passada, foi assinado o memorando entre as instituições internacionais (FMI/FEEF/BCE) e o governo, muita gente esperou que, ou o próprio governo ou um dos partidos, ou um dos órgãos de comunicação social com jornalistas profissionais (isto é, que estão ao serviço a tempo inteiro) se encarregassem da tradução de tão importante obra cujo conteúdo, para o bem e para o mal, vai moldar a vivência dos portugueses nos anos vindouros.

Pois como dizem os Aventares, mais valia que o País tivesse esperado sentado, que se não fossem Helder Guerreiro e Jorge Fliscorno (que têm as suas profissões), ainda não havia tradução. Está aqui.

A reacção de Chomsky à morte de Bin Laden

2011/05/8

Em http://readersupportednews.org/opinion2/268-35/5859-noam-chomsky-my-reaction-to-osama-bin-ladens-death

We might ask ourselves how we would be reacting if Iraqi commandos landed at George W. Bush’s compound, assassinated him, and dumped his body in the Atlantic. Uncontroversially, his crimes vastly exceed bin Laden’s, and he is not a “suspect” but uncontroversially the “decider” who gave the orders to commit the “supreme international crime differing only from other war crimes in that it contains within itself the accumulated evil of the whole” (quoting the Nuremberg Tribunal) for which Nazi criminals were hanged: the hundreds of thousands of deaths, millions of refugees, destruction of much of the country, the bitter sectarian conflict that has now spread to the rest of the region.

Same with the name, Operation Geronimo. The imperial mentality is so profound, throughout western society, that no one can perceive that they are glorifying bin Laden by identifying him with courageous resistance against genocidal invaders. It’s like naming our murder weapons after victims of our crimes: Apache, Tomahawk … It’s as if the Luftwaffe were to call its fighter planes “Jew” and “Gypsy.”

Manifesto para um mundo melhor

2011/05/7

Em conjunto com todos aqueles que estão dispostos a trabalhar por um Mundo Melhor. Com todos aqueles que sabem que a democracia se inventa e se reconstrói. Outros paradigmas são possíveis, mas exigem o compromisso de todos nós, para que se diminua a distância entre governantes e governados, denunciada há tantos anos por Bourdieu; para que seja possível, à semelhança do preconizado por Edgar Morin, resistirmos a uma ideologia dominante que tudo varre à sua frente e que apresenta como evidente e normal o que mais não é que a exploração e a desigualdade, que recusamos; para que seja possível compreender à semelhança de Cynthia Fleury, que a democracia tem que conter a crítica de si própria, de modo a que se reinventem as regras que nos governam, impedindo a “entropia” das democracias. Torna-se, por isso, fundamental a intervenção no espaço público, nomeadamente através da construção de um Manifesto capaz de interrogar o capitalismo desenfreado em que vivemos (e particularmente a submissão às exigências dos mercados financeiros internacionais) que sacrifica parte significativa dos seres humanos em nome do lucro exacerbado de alguns, encaminhando-os para a perda gradual dos Direitos e da Dignidade Humanos. Trata-se de um Manifesto capaz de questionar o tipo de sociedade que está a construir-se com este modelo económico e apontar para a construção de uma sociedade em que o modelo económico não faça refém a maior parte da humanidade, destruindo-lhe nomeadamente a capacidade de indignação através do aumento da insegurança e precariedade associadas ao mercado de trabalho. O papel dos e das cientistas sociais é também desconstruir as “evidências do mercado”, bem como outras ideologias tão eficazes, nomeadamente no que diz respeito à veiculação de que não existe alternativa para a actual ordem económica e social mundial.

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